Mostrando postagens com marcador José Saramago. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador José Saramago. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

O nome dele é Barack Obama


Vivo um conflito existencial. Sou desconfiada por natureza, sobretudo quando se trata de governantes, mas ao mesmo tempo, tento manter a fé nos seres humanos, embora às vezes me convença de que "gente é mesmo uma lástima", como diria um grande amigo meu, professor de filosofia. Mas Barack Obama, apesar do oba-oba da mídia, tem aquele perfil de alguém que você olha e simpatiza. Tem uma cara que você olha e diz, ele parece muito confiável. Não tenho a menor idéia se ele é tudo isso mesmo, ou se é fabricado pela mídia. Também não sei se ele vai conseguir alterar a política externa canibal dos EUA. Mas simpatizo com Obama, ele tem idéias interessantes e um discurso bom de ouvir. Já começou o governo dizendo que Guantánamo será fechada em 12 meses. Quem sabe, daqui um tempo, o embargo criminoso contra Cuba também será revisto? Esperanças que movem o ser humano, por mais cético que ele tente parecer...

Obama também anunciou que irá pedir às forças armadas americanas que inicie o planejamento da retirada do Iraque. Outra coisa boa de se ouvir. Quem sabe assim, a paranóia da caça às bruxas, que dá mais poder ao terrorismo do que de fato ele tem, finalmente seja curada. Mas, de tudo o que ele disse até agora, anunciar o congelamento dos altíssimos salários dos funcionários da Casa Branca - tem gente lá que recebe mais de US$ 100 mil por ano! - é com certeza inspirador. Merece um voto de confiança. Vamos observá-lo de perto.

P.S.: Saramago, sempre ele, já definiu a expectativa Obama muito melhor que qualquer cientista político ou analista global. Do alto dos seus 86 anos, ele sim, o português prêmio nobel, entende como ninguém das esperanças humanas. Leiam aqui.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Saramago já disse tudo...

Pensei no que deveria escrever hoje. Não que falte assunto. Sobram tantos que fica difícil escolher. Dos auto-biográficos aos arremedos de crônica da velha Salvador, - a província que se veste com roupas modernas, mas continua tão colonial quando da chegada de Thomé de Souza e seus jesuítas -, sempre há o que dizer.

O dia foi farto em acontecimentos no meu microcosmo jornalístico. O mundo desabou e foi reconstruído centenas de vezes ao longo da manhã e de boa parte da tarde. Em casa, um futuro cientista estuda dinossauros. Envolvida nas suas descobertas infantis, tenho a confirmação daquilo que já sabia: a manhã e a tarde passaram, assim como passaram todas as pequeninas dificuldades vividas nos dois turnos em que o sol tentou, a todo custo, brilhar por trás das carregadas nuvens da chuva de verão que lava a capital e o juízo, ou a falta dele, dos soteropolitanos.

Queria falar da baiana que foi deportada de Londres. Apesar de ter passagens para retorno previamente agendado ao Brasil, tios radicados e dinheiro suficiente para provar que, do alto dos seus 18 anos e muitos hormônios à flor da pele, não estava na velha Inglaterra para rodar a bolsinha nas antigas pontes sobre o Tâmisa, mandaram a menina de volta, sem direito a trocar nem o absorvente. Mas quem sou eu para falar de deportados, quando Saramago viveu constrangimentos na hora do embarque, em Portugal. O detalhe é que ele estava vindo para o Brasil.

Também queria falar sobre a chuva que já matou dezenas em Santa Catarina, mas diante das palavras de um dos maiores escritores do mundo, com a sorte de estar vivo e poder ser adorado em carne em osso, minhas palavras seriam apenas, palavras. Apesar da saudade de Florianópolis, o paraíso onde eu gostaria de viver, nunca conseguiria falar de uma tragédia brasileira da mesma forma que Saramago.

Imaginei escrever sobre a arte de blogar, que eu descobri há menos de um ano. Ainda sigo tateando pela rede, guiada pelo instinto mais do que pelo conhecimento técnico. Só que, José Saramago, mais uma vez, passou na minha frente. E com muito mais méritos: um Nobel, 86 anos de vida e Ensaio sobre a cegueira.

Resta-me dizer aos que tentaram acizentar meu dia, que eles fracassaram no intento. A luz está do lado de dentro e nada do que venha de fora vai conseguir apagar a chama.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Cada dia, uma leitura

Desbravar as estantes, dia após dia, livro a livro, essa tem sido a minha meta. Sempre tive sede de palavras, fome de conhecimento. É chavão puro, mas é a pura verdade. Descubro um autor, revela-se a paixão nova, intensa. As estantes do meu quarto são sóbrias (José Saramago, Umberto Eco, Isabel Alende, Graciliano Ramos, Fernando Pessoa, Ariano Suassuna, Manuel Bandeira, Guimarães Rosa...). As estantes do meu filho são lúdicas (Peter Pan, O pequeno príncipe, Júlio Verne, histórias de elfos e dragões...). Mas as estantes de minha irmã, essas, além de lúdicas, são reveladoras. São as estantes de um geminiano: criativas, instigantes, irônicas, cínicas, cruas como a vida, belas como a vida, provocativas, charmosamente discretas, o lar de Neil Gaiman, de Salman Rushdie, de Terry Pratchet, de Lemony Snicket, de Roald Dahl, de Michel Ende, de Tolkien...

Belas Maldições, de Gaiman e Pretchet, é a viagem do momento. Prometo contar depois.


terça-feira, 7 de outubro de 2008

Saramago biografou Fernando

José Saramago fala de Fernando Pessoa, meu outro amado português, em O Caderno de Saramago, seu blog. Estou completamente viciada na leitura do blog de Saramago, perfeito é uma palavra pobre demais para descrever. Mas falar de Fernando Pessoa?!! Se ler Saramago falando da vida, do mundo, das pessoas, diariamente, já é uma experiência intraduzível...

Fernando Pessoa é uma espécie de paixão para toda vida, um amor eterno como o tempo. Os amigos sabem o quanto preciso dos versos, das palavras, dos suspiros de Pessoa para me traduzir. Me encontro em cada uma das suas linhas.

Leiam a biografia de Fernando by Samarago, é indescritível!

sábado, 4 de outubro de 2008

Vão construir 19 torres bem aqui!


Foto de: Ladyamnesia / Vista da minha janela para o futuro Horto Bela Vista

Outdoors, estrelas globais sorridentes e caminhões transportando material de construção anunciam o mega empreendimento Horto Bela Vista, numa área remanescente (?) de mata, na subida da Ladeira do Cabula. Lembrei do professor Cid Teixeira e das suas histórias sobre as laranjas das chácaras do Cabula. Na minha infância, ainda havia uma dessas chácaras. Quando passava por ela, tinha a sensação de que, se atravessasse o portão gradeado ou pulasse o muro, que nem era tão alto, entraria no reino das fadas. Não moro mais no Cabula, embora o bairro onde eu vivo atualmente, também tenha seu quinhão de especulação imobiliária. Em frente ao meu modesto prédio de três andares, uma torre de 17 pavimentos sobe impávida. A bem da verdade, não subiu ainda, mas a demolição da casa colossal, em terreno de cinco mil metros quadrados, que vai abrigar o novíssimo edifício, anuncia para a vizinhança que a Vila Laura já não é mais a mesma. Outras quatro ou cinco ruas do bairro também vão ganhar seus espigões. Mas da minha janela, não serão as caras sorridentes dos meus vizinhos classe-média-alta que verei todas as manhãs. Da minha janela eu vejo a ladeira do Cabula. Numa ironia do destino, vim morar no bairro que fica do outro lado do vale formado pela Rótula do Abacaxi, que como o nome já diz, não é qualquer um que descasca. De um lado do vale, a ladeira do Cabula e a reminescência de mata e das antigas chácaras de laranjas doces. Do lado de cá, o meu lado, a Vila Laura que já foi fazenda, virou bairro pontilhado de casas com jardins vistosos e edifícios pequenos com playgrounds frescos; e, agora, deve se transformar na nova coqueluche do "bem morar" da capital. A ironia é porque, nostálgica, suspiro aqui e outro ali, vejo a ladeira que me conduz a um período da infância que é bem gostoso de lembrar. O que me intriga não é o avanço das construções. O mundo é populoso e cada diz nasce mais gente. As pessoas querem morar, embora boa parte das que conheço não tenham cacife pra morar no Horto Bela Vista. O progresso é necessário (será mesmo?) e coisa e tal... Nada contra a tecnologia, olha eu aqui escrevendo minhas lembranças num blog, nada contra o conforto, bem que meu quarto podia ser maior e ter uma varanda com rede para as tardes de leitura. Mas o meu questionamento é bem simples: fala-se no horto, nos seus 19 edifícios arranha-céu, no shopping-center e nas torres empresariais que vão fechar o cerco moradia-trabalho-e-lazer, tudo no mesmo espaço. Mas não se fala em planejamento, infra-estrutura urbana, reordenamento do tráfego, melhoria das condições de vida da população paupérrima que vive no entorno. Enfim, não se escreve uma linha sobre como a Rótula vai se tornar menos Abacaxi e mais condizente com o mega-projeto ambicioso ladeira do Cabula acima! Como diria meu filho de 11 anos, "é uma incoerência". Sem falar que, José Saramago, que é cada dia mais mago pra mim, previu o advento dos complexos habitacionais-residenciais-diversãogarantida quando escreveu o primoroso A Caverna. O livro é ambientado numa dessas maravilhas da engenharia moderna e seus moradores-trabalhadores-visitantes vivem confinados no sonho do "tudo ao alcance da sua mão" e nem se dão conta de que, tal qual os habitantes da caverna de Platão, o que vêem à sua frente é um mero simulacro de realidade, sombras projetadas na parede. A vida real vai continuar para além dos muros do paradisíaco Horto Bela Vista, espremida e borbulhante na Rótula do Abacaxi.


Foto de: Ladyamnesia / A ladeira que não leva mais para as chácaras do Cabula

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Linkei o blog de Saramago!

Tive a audácia, a desfaçatez, a cara-de-pau, a coragem de colocar o blog do meu maior ídolo na minha lista. Fica ai ao lado da página, junto com os blogs de amigos e também ao flickr de Ladyamnesia, uma das melhores fotógrafas amadoras (só porque não tem registro e não é sindicalizada) que conheço. Tinha muito do que reclamar hoje, tinha também as reflexões filosóficas, mas quis fazer propaganda das páginas dos outros. Eu linkei José Saramago gente! O homem não sabe que existo, mas sabendo eu dele e das suas letras, é o que basta.