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sábado, 3 de janeiro de 2009

"Todas as histórias são de Anansi"


Anansi, o deus-aranha africano, trazido nos negreiros para a América Central. Das ilhas do Caribe, chegou ao Reino Unido e de lá, aos EUA. "Todas as histórias pertencem a Anansi". Esperto, trapaceiro, sedutor, brincalhão, exímio dançarino. Anansi, o dono das histórias, é transformado pelas hábeis palavras de Neil Gaiman no senhor A. Nancy, um velhinho simpático, com luvas verde limão e chapéu panamá. Um deus antigo, bufão, vivendo entre homens. Ele tem dois filhos: Fat Charlie Nancy e Spider. O primeiro acha seu pai constrangedor, o segundo herdou os poderes do deus. O encontro dos irmãos, o caminho longo entre o mundo dos homens e dos deuses, a luta contra o ressentido e feroz tigre... No início dos tempos, o tigre era o dono das histórias e a humanidade vivia uma época de trevas e terror. Mas Anansi roubou todas as lendas e ninguém mais conta histórias sobre o tigre. Anansi, com picardia, sutileza, sempre engana o tigre, o ridiculariza, humilha. E o tigre quer vingança... O senhor Nancy está morto e seus filhos não se entendem. Mas o sangue fala mais alto. Fat Charlie descobre o poder da música e com a canção, os poderes do deus aranha. Spider aprende que para viver entre nós, precisa ser mais humano e menos divino ...

E o resto? Só lendo Os Filhos de Anansi. Se eu contar tudo, perde a graça! Para saber mais sobre o livro, clique aqui.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Para o dia ficar ainda melhor, um livro...

...Chama-se Coisas Frágeis, é de Neil Gaiman, reúne sete contos.

Um trecho da introdução diz tudo sobre a obra:

"Histórias, assim como pessoas, borboletas, ovos de aves canoras, corações humanos e sonhos, também são coisas frágeis, feitas de nada mais forte ou duradouro do que 26 letras e um punhado de sinais de pontuação. Ou então são palavras no ar, compostas de sonhos e idéias - abstratas, invisíveis, sumindo no momento em que são pronunciadas -, e o que poderia ser mais frágil do que isso? Mas algumas histórias, pequenas, simples, sobre gente embarcando em aventuras ou realizando maravilhas, contos de milagres e de monstros, duram mais do que todas as pessoas que as contaram, e algumas duram mais do que as próprias terras onde elas foram criadas".

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Tempo para ver um filme


Um compromisso previamente marcado teve de ser desmarcado por motivo de força maior. Mas, no meio da tarde, houve um reencontro com O Garoto, nunca é demais rever a delicada história de Chaplin. Durante a sessão, tocou o telefone: "Eu liguei para dizer que vou embora". Boa sorte meu querido amigo! Uma ponta de saudade, a promessa de cartas e emails e uma nova sessão - Stardust. Descobri o livro numa das minhas viagens pela obra de Neil Gaiman. A versão em filme é belíssima (adoro fábulas e contos de fadas). Um jovem parte em busca de uma estrela cadente para oferecer como presente de aniversário à sua amada. Mas ele se apaixona pela estrela. Quero te oferecer Stardust Saymon. Que muitas estrelas iluminem o seu novo caminho.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

O trecho de um livro

Da série, essa menina anda lendo demais!

"As canções permanecem. Elas perduram. A canção certa pode fazer um imperador tornar-se motivo de chacota, pode arruinar toda uma dinastia. Uma canção pode permanecer depois de os acontecimentos e as pessoas nela descritos terem se transformado em pó, em sonhos e morrido. Esse é o seu poder"

(Neil Gaiman, in, Os Filhos de Anansi)

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Coraline

Uma frase para guardar na memória:

"Contos de fadas são a pura verdade não porque nos contam que os dragões existem, mas porque nos contam que eles podem ser vencidos".

(citação de G. K. Chesterton na abertura do livro Coraline)

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Lugar Nenhum

Eu e Richard Mayhew vagamos pelos subterrâneos de Londres, em busca de uma chave de prata que deve ser entregue a um anjo. Enquanto isso, o marquês de Carabas é torturado no porão abandonado de um hospital em ruínas. O velho dos corvos toma conta do coração pulsante do marquês, preso dentro de uma caixa dourada. Na Londres de Cima, diriam que nada disso descrito até aqui existe de verdade. Quem estiver lendo o post provavelmente vai pensar que caiu dentro do sonho de alguém, o que é bem parecido com entrar na sessão com o filme começado. Ler Neil Gaiman é quase isso, cair de sonho em sonho, até o amanhecer.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Escambo

- "Informação! Informação! - anunciou ele para a sala apinhada de gente. - Viu? Bem que eu disse. É preciso diversificar. Diversificar! Não dá para vender gralhas para fazer cozido o resto da vida. Elas têm gosto de sapato. O cozido fica grosso feito mingau. Você já comeu gralha?
Richard fez que não com a cabeça. Disso ele tinha certeza absoluta.
- O que você vai me dar? - perguntou Old Bailey.
- Como? - Richard sentia-se como se estivesse pulando de lá para cá, tentando manter o rítmo do raciocínio louco do velho.
- Se eu te der a informação. O que você me dá em troca?
- Não tenho dinheiro. E acabo de trocar minha caneta."

(Trecho de Lugar Nenhum - Neil Gaiman)

O que as pessoas trocam pelas informações que dou a elas? O tempo? Um pedaço das suas próprias histórias? O que elas levam de mim em troca do que me oferecem? Pedaços da minha história...

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Uma leitura


Lugar Nenhum (Neverwhere). Mais um Neil Gaiman. Estou quase fechando o ciclo. Dúvido que eu seja a mesma pessoa quando traçar o caminho até o fim. Para saber mais sobre o livro, clique aqui no site da Conrad Editora.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Belas Maldições

Da série, "essas leituras que você pensa ter tido"

Um anjo e o seu oposto perderam o anticristo na maternidade. As conseqüências do descuido e a idéia da criança concebida para levar o mundo à perdição, crescendo por aí sozinha, sem sofrer as boas e nem as más influências, são o mote usado pelos escritores britânicos Neil Gaiman e Terry Pratchett para contar uma versão hilária e muito particular do apocalipse. Aziraphale (o anjo) e Crowley (a serpente do paraíso) estão na terra há seis mil anos e não gostam muito da idéia de vê-la destruída. Os dois tenentes, de céu e inferno, precisam garantir que o plano divino e inefável se realize: que este mundo vire cinzas e dele um outro novinho renasça. O problema é decidir quem vai mandar no novo mundo, se o exército do céu ou se os comandados do inferno. Outro problema: nem o anjo e nem o demônio que tentou Eva querem um mundo diferente deste onde vivem há tantos milênios. Não é que eles não queiram obedecer seus superiores (inferiores no caso de Crowley), mas eles se apagaram ao mundo e às pessoas. A missão era muito simples, pegar o filho de Satã e trocá-lo de lugar com o recém-nascido do embaixador americano. O anticristo tinha de ser criado nos EUA - taí uma coisa que acho perfeita, em filmes sombrios como A Profecia ou em histórias bem-humoradas como Belas Maldições, o filho do Demo tem de ser sempre criado como americano. Sinal de que o senso-comum mundial (e não é pouca coisa) acredita piamente que todo mal vem sempre de lá. Hummm...nem todo mal, houve vozes dissidentes. Basta uma rápida olhada na história e salvam-se as almas de escritores, revolucionários, cantores, diretores de cinema, atores...Essa boa gente (qualquer dia escrevo um post sobre eles) salva a América de ser um colapso completo de banqueiros e senhores da guerra. Voltando ao livro, não terá a mesma graça contar o que aconteceu com esse anticristo criado longe das hostes celestiais e infernais. Sabe-se lá que tipo de coisas uma criança com super-poderes pode aprender sendo criada longe dos padrinhos divinos ou satânicos e totalmente entregue nas mãos da humanidade. Um dos momentos mais interessantes do livro, que mistura história, cotidiano e cultura contemporânea, é quando o demônio Crowley (fascinado em colecionar carros antigos) conversa com o anjo Aziraphale (colecionador de livros raros) e diz que nem o príncipe das trevas seria capaz de conceber algo como a bomba-atômica ou a inquisição. Em matéria de maldades, humanos dão de dez a zero no capeta. Vale a pena ler e descobrir que o armagedon está a um passo de cada um de nós, isso eu garanto. Também não vou dizer se o apocalipse acontece exatamente da forma que foi planejado, até porque, quem sou eu para dar pitaco nos planos inefáveis de quem me rege, guarda e governa?

Quem quiser saber mais sobre Belas Maldições, clique aqui
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segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Cada dia, uma leitura

Desbravar as estantes, dia após dia, livro a livro, essa tem sido a minha meta. Sempre tive sede de palavras, fome de conhecimento. É chavão puro, mas é a pura verdade. Descubro um autor, revela-se a paixão nova, intensa. As estantes do meu quarto são sóbrias (José Saramago, Umberto Eco, Isabel Alende, Graciliano Ramos, Fernando Pessoa, Ariano Suassuna, Manuel Bandeira, Guimarães Rosa...). As estantes do meu filho são lúdicas (Peter Pan, O pequeno príncipe, Júlio Verne, histórias de elfos e dragões...). Mas as estantes de minha irmã, essas, além de lúdicas, são reveladoras. São as estantes de um geminiano: criativas, instigantes, irônicas, cínicas, cruas como a vida, belas como a vida, provocativas, charmosamente discretas, o lar de Neil Gaiman, de Salman Rushdie, de Terry Pratchet, de Lemony Snicket, de Roald Dahl, de Michel Ende, de Tolkien...

Belas Maldições, de Gaiman e Pretchet, é a viagem do momento. Prometo contar depois.


quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Fumaça e Espelhos - mais uma leitura


Fumaça e Espelhos, Contos e Ilusões é a viagem literária do momento. Mais uma pelas mãos de Neil Gaiman, que está virando uma espécie de guru responsável por me apresentar aos "tempos modernos". Os contos são sobrenaturais, mas extremamente humanos, perfeitamente ordinários, como o cotidiano. O que somos nós senão uma coletânea de histórias "tão sem originalidade quanto qualquer outro conto. Tão únicos quanto qualquer outra vida?" Sempre gostei de admirar o ir e vir da vida alheia, nos bastidores, sem interferir, apenas colecionar rostos, possíveis histórias, cores desbotadas ou intensas, restos de conversa. Creio que seja isso que me aproxima tanto do escritor britânico e tem levado a uma identificação com sua obra, descoberta tardiamente (?), não, revelada na hora certa. Nós dois lemos a vida como um conto ordinariamente comum e justamente por isso, tão peculiar.

Link para quem quer saber mais sobre o livro:
Fumaça e Espelhos

terça-feira, 30 de setembro de 2008

O destino é inocente

"Chamam de acaso, ou sorte, ou chamam de Destino -
As cartas e estrelas que tombam por vontade própria."

(Neil Gaiman)

O destino de cada criatura só a ela pertence. Taí um dos chavões mais comuns que existem. Eis uma verdade mais que absoluta. E os chavões são simplesmente verdades absolutas resumidas. Mas o destino também é sábio e em determinados momentos da vida, requer paciência. Não se trata de sentar, cruzar os braços e se resignar. É só uma questão de recuar, rearmar o tabuleiro, calcular outra estratégia. Generais que perderam guerras não foram vítimas do destino, só erraram na conta. A sabedoria do destino, tão velho quanto a humanidade, consiste em mostrar quando é hora de agir, quando é hora de esperar, quando calar e quando gritar verdades ao mundo. O destino é feito de pausas e não de sobressaltos.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Deuses Americanos - fim da linha

"O inverno enlouquece os deuses".

Dizem que nossas leituras nos mudam. Talvez a mudança não dure para sempre. Só o tempo de viajar em outro livro. O que me fascina na leitura, desde criança, é essa capacidade de viver várias vidas dentro de uma só. Lendo Deuses Americanos, de Neil Gaiman, me senti um pouco Shadow, o ex-presidiário que percorre as estradas dos EUA buscando a si mesmo; Laura, a morta-viva que tinha mais vida dentro de si do que os vivos jamais conseguirão ter; Odin - o pai de todos, o deus que não faz concessões; Czernobog, cinzento no inverno e dourado na primavera. Difícil não perceber cada um deles dentro de mim. Mais difícil ainda largar o livro após o ponto final, mesmo que tenha outro na fila. Leitores compulsivos e dotados de muita imaginação, por mais que acumulem camadas de leitura por cima de camadas de leitura, como o gelo sobre o lago de Lakeside, sempre guardam resíduos. Estou impregnada por frases, por diálogos inteiros, por reflexões sobre esse mundo mitológico criado por Gaiman em que deuses são homens como nós, se arrependem (alguns pelo menos) e morrem. Deuses velhos, tão antigos quando a Terra, duelam com os novos (a cultura pop, as drogas psicodélicas, a mídia, as celebridades de 15 minutos de fama). Vencedores e perdedores? Ora um lado, ora o outro. A balança precisa se manter equilibrada. Não somos o brinquedo dos deuses, eles não interferem no nosso destino. Nós os criamos, eles existem porque nós queremos. Somos nós os deuses. Não é á toa que os gregos atribuiram a cada criatura mágica do seu panteão uma fraqueza humana.

Aos interessados em saber mais sobre a obra, o link é este.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Descobertas literárias, ainda que tardias...


Mais uma incursão no universo de Neil Gaiman. Me aventuro pelas páginas de Deuses Americanos. Grata surpresa, descobri que é o livro de cabeceira de uma criatura profundamente amada. Quando achar o caminho de volta, revelo o que vi na viagem.