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terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Julio Cortazar saiu da estante

A semana começa na terça-feira, porque como Garfield (I hate mondays!). Depois de devolver à Haroun o seu mar de fios de histórias, leio Divertimento, de Julio Cortazar. O livro é de 1949. O autor colocou o ponto final na história em pleno Carnaval.

Quem dera também pudesse colocar um ponto final nessa festa infame. Escapei da rua, embora meu plantão momesco vá durar até 3h da madrugada. Não reclamo. Prefiro a companhia das corujas e o risco de uma pneumonia com o ar condicionado gelado nas costas, ao contato suado, de alegria forçada, dos foliões.

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Fiz uma seleção dos cinco filmes de Nicolas Cage de que mais gosto. Está aqui, no Conversa de Menina. O blog das mocinhas completa dois meses no ar nesta terça.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Para os contadores (e leitores) de histórias

Zembla, Zenda, Xanadu, Xangrilá
Ali nosso sonho pode estar
Fantasia tem asas pra voar
Agora que ando longe, a vagar
Rumo a ti neste livro hei de voltar.


(trecho de Haroun e o mar de histórias - Salman Rushdie)

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Enquanto isso, na Estação de Sonhos...

Morpheu, aborrecido porque o "converseiro" dos anjos não deixa o menino dormir, decide, em pessoa, fazer uma visitinha ao céu...

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Baú de histórias

Cresci ouvindo histórias. Antes de dormir, eu e minha irmã disputávamos para ver na cama de quem minha mãe sentaria naquela noite para contar uma nova aventura. A solução era simples e só as mães conseguem enxergar soluções assim tão óbvias. Uma cadeira no meio do quarto, entre as duas camas, e as histórias fluiam 50% para cada lado. Quando faltava luz, as histórias ganhavam o contorno da chama das velas e dos dedos que milagrosamente viravam personagens refletidos nas paredes.Cinema, foi uma coisa que só descobri quando era crescida. Depois, aprendi a contar histórias. Minha irmã, quando não conseguia dormir, pedia para contar "aquela história da origem do mundo". Parte da narrativa vinha das aulas de geografia e biologia da escola. A outra parte era imaginação mesmo. Antes de chegar nos homens-primatas, ela dormia no meu colo. E no dia seguinte, a história tinha de começar do começo novamente...

Um dia tive um filho. E como ele não gosta muito de dormir, - agora que sou uma trabalhadora noturna até começo a entender o motivo -, comecei a contar histórias para ele. Tem umas só de gozação, sobre as aventuras de um biscoito de chocolate que foge do pote na cozinha e vive vários apuros na tentativa de não ser comido. Tem a do príncipe Rajá, que pouco a pouco, vou tirando da inconsistência do reino das histórias e publicando no outro blog (Estação de Sonho). E tem também a história do menino que não gostava de dormir, que é recente. Em todas, não há nada de original ou revolucionário. A maioria tem base no que li, ou vi, ou vivi. Mas espero transmitir o ato de contar histórias ao meu filho, para que um dia ele também coloque o filho dele para dormir da mesma forma. A leitura de Haroun, um pequeno libelo à liberdade de expressão e uma homenagem de 250 páginas aos contadores de histórias, me mostrou que talvez, seja hora de dividir as fantasias criadas para Matheus, com outras crianças. Quem sabe...

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Voltei a ler Haroun

Tinha decidido por uma visão do Oriente Médio que fosse menos agressiva, menos dolorida que a guerra na Faixa de Gaza e então busquei na prateleira, Haroun, de Salman Rushdie (O chão que ela pisa, os versos satânicos, o último suspiro do mouro). No entanto, quis o deus dos destinos literários, aquele que controla o que vai nos cair nas mãos para ler e em que momento, que eu refletisse mais sobre a guerra, refugiados sociais, medo, violência e a sociedade onde eu vivo. Fazer o quê? É igual ao óleo de fígado de bacalhau que meu avô fazia os filhos beberem todo dia de manhã: "limpa o sangue". Nesse caso, certas leituras limpam as idéias...

Mas Haroun, o pequeno e relegado Haroun assobiou ali do canto da prateleira, acenou suas páginas e me reconduziu à ilha da fantasia. E quem diz que contos de fadas não fazem pensar, ou nunca leu um conto de fadas ou anda lendo os livros errados. Uma pequena pílula para vocês, uma frase extraída de Haroun, página 39, capítulo dois - O Expresso Postal: "a qualquer momento vou sumir, feito uma palavra que alguém apaga numa lousa. Uma passada de apagador e lá vou eu, desapareço para todo o sempre". Se não existe beleza e reflexão em algo assim tão singelo e tão profundo, então sou eu quem anda lendo os livros errados.

sábado, 24 de janeiro de 2009

Clarice merecia um post só dela

Da série, promovendo Conversa de Menina

Declaro para quem quiser ouvir minha paixão por José Saramago, Neil Gaiman (amor recente) e Fernando Pessoa. A lista é bem maior, mas esses três, digamos, são casados com as minhas idéias, de papel passado, até que a morte nos separe. No entanto, é difícil confessar a paixão por uma mulher. Por mais que a gente negue, vivemos os preconceitos da nossa sociedade, por osmose. Mas eu hoje resolvi dizer com todas as letras, a mulher da minha vida (para assuntos de literatura, não custa esclarecer) é Clarice Lispector. Escrevi sobre ela no Conversa de Menina. Quem quiser descobrir a extensão desse amor, clique aqui.

sábado, 17 de janeiro de 2009

Retalhos de mim

O Curioso Caso de Benjamin Button entrou na lista de filmes para ver. Notei a semelhança da história com a de um livrinho infanto-juvenil chamado Era Duas Vezes o Barão Lamberto. Uma frase do livrinho não me sai do pensamento: "um homem que deseja viver eternamente precisa ter seu nome lembrado". Seria o blog uma tentativa de perenidade nessa vida fugidia? Hummm...vou pensar mais no assunto.

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Edgar Allan Poe faria 200 anos nesta segunda-feira. Ninguém vive tanto tempo na carne - e ele morreu tão novo, aos 40, embora acredite que sua alma é daquelas criadas no princípio do mundo -, mas as palavras deixam uma marca indelével, inesquecível...imortal!!!. "Poe continua atual", diz a frase de uma reportagem especial dedicada ao autor. Conheci Poe na adolescência e seus contos mórbidos, doloridos, humanos, libertaram meu desejo de escrever.

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Dei Histórias Extraordinárias ao meu filho de 11 anos, nunca é cedo demais. O Gato Preto causou impressão e o Barril de Amontillado uma certa repulsa pelo ato ignóbil de um amigo emparedar o outro vivo. Observo as suas reações de leitor com fascínio e uma certa crueldade de cientista fazendo experiências em um laboratório novo, cheio de possibilidades. Certamente, o resultado só virá daqui há mais uns dez anos.

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Em algum lugar da minha mente tem uma vozinha dizendo que preciso terminar o artigo da pós. O título eu já tenho:

Celular - Interatividade 24x7
Como os "dispositivos híbridos móveis de conexão multirrede"* configuram-se em ferramenta de apuração no ambiente das redações convergentes e em sua interação com a audiência, 24 horas por dia, sete dias na semana.

O problema agora é destrinchar o que vem abaixo do título, sem esquecer as notas de rodapé e as normas da ABNT. Uma leve sombra de arrependimento por me meter no universo acadêmico depois de quase 12 anos fora dos bancos escolares, mas passou rápido como a maioria das tentações. É como diria minha avó: "para alcançar o paraíso - (de me dedicar às pesquisas do que realmente me atrai na academia) - é preciso vencer o purgatório primeiro" (dos trabalhos escolares e suas regras de conduta). "Você aguenta! - a voz da minha mãe - você é madeira de dar em doido"

*A definião dos celulares como DHMCM não é minha, mas do professor André Lemos - Facom/UFBa.

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P.S.: A expressão madeira de dar em doido sempre me causou espanto. Embora não seja novidade nenhuma que o tratamento dedicado à loucura tenha relação direta com a violência ao longo da história. Foucault que o diga, com a sua Nau dos Insensatos.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Oriente ameno, lúdico e literário

Salman Rushdie, Rudiard Kipling, que apesar de ter nascido na Inglaterra viveu na Índia, Nagib Mahfuz e tantos outros autores de origem árabe, egipcia, indiana, muçulmana, desde os tempos das Mil e Uma Noites, são a prova de que o Oriente Médio e as antigas Índias Orientais e Ocidentais do sonho lusitano não são apenas um barril de pólvora em constante ameaça de explosão. Lá também é um celeiro de histórias que seduzem como a flauta do encantador de serpentes.

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Aproveito o dia, que agora me pertence, para ler Haroun, um pequeno líbelo de Salman Rushdie ao mar de histórias sobre o qual todos nós navegamos.

Um trecho da sinopse:
Rashid é um contador de histórias profissional, o festejado "Mar de idéias". Um dia ele perde o dom da palavra - seu ganha-pão e alegria de viver. Mas seu filho, Haroun, descobre que todas as histórias vem do Grande Mar de Histórias e empreende a fantástica aventura da busca das palavras, enfretando as forças tenebrosas da escuridão e do silêncio...

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

O que eu andei lendo

Enquanto os poemas sombrios, belos e estranhos do Pequeno Menino Ostra se acomodam dentro de mim, fiz uma seleção de outros livros teoricamente infantis, mas que os adultos deveriam se permitir passar os olhos. A descrição detalhada está lá no Conversa de Menina.

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Um poema de Tim Burton, que achei incrivelmente parecido com o meu espelho:

A menina de muitos olhos

Dia desses no parque
Vi uma moça de raro encanto.
Tinha tantos, tantos olhos
Que, confesso, fiquei meio tonto.

A sua beleza não era pouca
(Aliás, que tremanda gatinha!)
Quando notei que tinha boca,
Engatamos uma conversinha.

Falamos sobre ecologia,
Sobre suas aulas de poesia,
Sobre os óculos que usaria
Se um dia tivesse miopia.

Mas, de tudo, o que eu mais adoro
É seu olhar diversificado.
Se entretanto ela no cai no choro,
Não tem quem não fique molhado.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

O triste fim do menino ostra


A semana começa com uma nova leitura. Troquei Neil Gaiman por Tim Burton, ele mesmo, o diretor de Edward Mãos de Tesoura, Ed Wood, A Noiva Cadáver e Peixe Grande, dentre tantas histórias fabulosas, também é poeta. Abençoadas para todo o sempre sejam as estantes do quarto de Boobie! Amém.

Me preparo para começar a vida de vampira. Depois do pôr-do-sol é quando o meu dia começa. Pelo menos a parte do dia que rende o sustento. No resto do tempo, a doçura do ócio criativo.

sábado, 3 de janeiro de 2009

"Todas as histórias são de Anansi"


Anansi, o deus-aranha africano, trazido nos negreiros para a América Central. Das ilhas do Caribe, chegou ao Reino Unido e de lá, aos EUA. "Todas as histórias pertencem a Anansi". Esperto, trapaceiro, sedutor, brincalhão, exímio dançarino. Anansi, o dono das histórias, é transformado pelas hábeis palavras de Neil Gaiman no senhor A. Nancy, um velhinho simpático, com luvas verde limão e chapéu panamá. Um deus antigo, bufão, vivendo entre homens. Ele tem dois filhos: Fat Charlie Nancy e Spider. O primeiro acha seu pai constrangedor, o segundo herdou os poderes do deus. O encontro dos irmãos, o caminho longo entre o mundo dos homens e dos deuses, a luta contra o ressentido e feroz tigre... No início dos tempos, o tigre era o dono das histórias e a humanidade vivia uma época de trevas e terror. Mas Anansi roubou todas as lendas e ninguém mais conta histórias sobre o tigre. Anansi, com picardia, sutileza, sempre engana o tigre, o ridiculariza, humilha. E o tigre quer vingança... O senhor Nancy está morto e seus filhos não se entendem. Mas o sangue fala mais alto. Fat Charlie descobre o poder da música e com a canção, os poderes do deus aranha. Spider aprende que para viver entre nós, precisa ser mais humano e menos divino ...

E o resto? Só lendo Os Filhos de Anansi. Se eu contar tudo, perde a graça! Para saber mais sobre o livro, clique aqui.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Para o dia ficar ainda melhor, um livro...

...Chama-se Coisas Frágeis, é de Neil Gaiman, reúne sete contos.

Um trecho da introdução diz tudo sobre a obra:

"Histórias, assim como pessoas, borboletas, ovos de aves canoras, corações humanos e sonhos, também são coisas frágeis, feitas de nada mais forte ou duradouro do que 26 letras e um punhado de sinais de pontuação. Ou então são palavras no ar, compostas de sonhos e idéias - abstratas, invisíveis, sumindo no momento em que são pronunciadas -, e o que poderia ser mais frágil do que isso? Mas algumas histórias, pequenas, simples, sobre gente embarcando em aventuras ou realizando maravilhas, contos de milagres e de monstros, duram mais do que todas as pessoas que as contaram, e algumas duram mais do que as próprias terras onde elas foram criadas".

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

O trecho de um livro

Da série, essa menina anda lendo demais!

"As canções permanecem. Elas perduram. A canção certa pode fazer um imperador tornar-se motivo de chacota, pode arruinar toda uma dinastia. Uma canção pode permanecer depois de os acontecimentos e as pessoas nela descritos terem se transformado em pó, em sonhos e morrido. Esse é o seu poder"

(Neil Gaiman, in, Os Filhos de Anansi)

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Coraline

Uma frase para guardar na memória:

"Contos de fadas são a pura verdade não porque nos contam que os dragões existem, mas porque nos contam que eles podem ser vencidos".

(citação de G. K. Chesterton na abertura do livro Coraline)

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Lugar Nenhum

Eu e Richard Mayhew vagamos pelos subterrâneos de Londres, em busca de uma chave de prata que deve ser entregue a um anjo. Enquanto isso, o marquês de Carabas é torturado no porão abandonado de um hospital em ruínas. O velho dos corvos toma conta do coração pulsante do marquês, preso dentro de uma caixa dourada. Na Londres de Cima, diriam que nada disso descrito até aqui existe de verdade. Quem estiver lendo o post provavelmente vai pensar que caiu dentro do sonho de alguém, o que é bem parecido com entrar na sessão com o filme começado. Ler Neil Gaiman é quase isso, cair de sonho em sonho, até o amanhecer.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

...depois do dever de casa

Déminpépou estava ocupado com o dever de casa e por isso seu blog andou meio capenga. A mãe de Déminpépou é braba, daquelas que pegam no pé quando o assunto é estudar. Mas, como as férias estão chegando, eis que o valente Déminpépou e seu fiel amigo, o elfo Akchi, botaram o pé na estrada virtual outra vez. Confiram aí mais um capítulo de Os Misteriosos Mistérios de Déminpépou.

domingo, 30 de novembro de 2008

Mais um capítulo

Tenho um outro blog, onde compartilho minhas tentativas de fazer literatura. Há meses, escrevo a história do príncipe Rajá, um garoto de quase 11 anos que mora em um palácio de ouro e prata, onde tudo é tão perfeito que seus moradores nem percebem que são prisioneiros da beleza. Um dia, Rajá decide sair para conhecer o mundo. Hoje nasceu mais um capítulo da história.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Escambo

- "Informação! Informação! - anunciou ele para a sala apinhada de gente. - Viu? Bem que eu disse. É preciso diversificar. Diversificar! Não dá para vender gralhas para fazer cozido o resto da vida. Elas têm gosto de sapato. O cozido fica grosso feito mingau. Você já comeu gralha?
Richard fez que não com a cabeça. Disso ele tinha certeza absoluta.
- O que você vai me dar? - perguntou Old Bailey.
- Como? - Richard sentia-se como se estivesse pulando de lá para cá, tentando manter o rítmo do raciocínio louco do velho.
- Se eu te der a informação. O que você me dá em troca?
- Não tenho dinheiro. E acabo de trocar minha caneta."

(Trecho de Lugar Nenhum - Neil Gaiman)

O que as pessoas trocam pelas informações que dou a elas? O tempo? Um pedaço das suas próprias histórias? O que elas levam de mim em troca do que me oferecem? Pedaços da minha história...

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Uma leitura


Lugar Nenhum (Neverwhere). Mais um Neil Gaiman. Estou quase fechando o ciclo. Dúvido que eu seja a mesma pessoa quando traçar o caminho até o fim. Para saber mais sobre o livro, clique aqui no site da Conrad Editora.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Belas Maldições

Da série, "essas leituras que você pensa ter tido"

Um anjo e o seu oposto perderam o anticristo na maternidade. As conseqüências do descuido e a idéia da criança concebida para levar o mundo à perdição, crescendo por aí sozinha, sem sofrer as boas e nem as más influências, são o mote usado pelos escritores britânicos Neil Gaiman e Terry Pratchett para contar uma versão hilária e muito particular do apocalipse. Aziraphale (o anjo) e Crowley (a serpente do paraíso) estão na terra há seis mil anos e não gostam muito da idéia de vê-la destruída. Os dois tenentes, de céu e inferno, precisam garantir que o plano divino e inefável se realize: que este mundo vire cinzas e dele um outro novinho renasça. O problema é decidir quem vai mandar no novo mundo, se o exército do céu ou se os comandados do inferno. Outro problema: nem o anjo e nem o demônio que tentou Eva querem um mundo diferente deste onde vivem há tantos milênios. Não é que eles não queiram obedecer seus superiores (inferiores no caso de Crowley), mas eles se apagaram ao mundo e às pessoas. A missão era muito simples, pegar o filho de Satã e trocá-lo de lugar com o recém-nascido do embaixador americano. O anticristo tinha de ser criado nos EUA - taí uma coisa que acho perfeita, em filmes sombrios como A Profecia ou em histórias bem-humoradas como Belas Maldições, o filho do Demo tem de ser sempre criado como americano. Sinal de que o senso-comum mundial (e não é pouca coisa) acredita piamente que todo mal vem sempre de lá. Hummm...nem todo mal, houve vozes dissidentes. Basta uma rápida olhada na história e salvam-se as almas de escritores, revolucionários, cantores, diretores de cinema, atores...Essa boa gente (qualquer dia escrevo um post sobre eles) salva a América de ser um colapso completo de banqueiros e senhores da guerra. Voltando ao livro, não terá a mesma graça contar o que aconteceu com esse anticristo criado longe das hostes celestiais e infernais. Sabe-se lá que tipo de coisas uma criança com super-poderes pode aprender sendo criada longe dos padrinhos divinos ou satânicos e totalmente entregue nas mãos da humanidade. Um dos momentos mais interessantes do livro, que mistura história, cotidiano e cultura contemporânea, é quando o demônio Crowley (fascinado em colecionar carros antigos) conversa com o anjo Aziraphale (colecionador de livros raros) e diz que nem o príncipe das trevas seria capaz de conceber algo como a bomba-atômica ou a inquisição. Em matéria de maldades, humanos dão de dez a zero no capeta. Vale a pena ler e descobrir que o armagedon está a um passo de cada um de nós, isso eu garanto. Também não vou dizer se o apocalipse acontece exatamente da forma que foi planejado, até porque, quem sou eu para dar pitaco nos planos inefáveis de quem me rege, guarda e governa?

Quem quiser saber mais sobre Belas Maldições, clique aqui
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quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Armagedon

Precisava de uma leitura que desconstruísse, virasse tudo do avesso, bagunçasse o coreto e depois de bem bagunçado, reconstruísse. De vez em quando o mundo (nem que seja o interior que cada um de nós carrega) necessita queimar numa pira sacrificial. E então, renascer das cinzas. Somos todos fênix, condenados, ainda bem, ao renascimento eterno. Mas isso não tem relação nenhuma com os incêndios na chapada diamantina. O caso lá é outro. É crime ambiental, crueldade humana pura e simples, desrespeito a natureza e o ciclo perfeito da vida. O fogo que me consome é das idéias. Elas sim, precisam de oxigênio que alimente as chamas. Idéias antigas, pré-concebidas, pré-conceituosas precisam queimar para dar lugar "a eterna novidade do mundo".