Durante uma aula, discutindo convergência, integração multimídia, jornalismo cidadão (feito em colaboração ou pela própria audiência) e como planejar coberturas que se interliguem ao mesmo tempo na web, no jornal impresso, rádio e tv aberta e que tenham alto índice de interatividade, lembrei de um dia de chuva, dois meses atrás, em que tive uma saudável discussão via msn com uma amiga e ex-colega.
A polêmica começou porque, para estimular a audiência a enviar relatos das agruras vividas durante o temporal, decidi relatar o que eu mesma tinha vivido, em primeira pessoa, despindo -me da capa de jornalista para revelar a cidadã que anda de ônibus e vive numa capital com problemas de infra-estrutura urbana históricos. Não satisfeita, decidi incentivar outras pessoas da minha equipe a fazer o mesmo e em pouco tempo, estávamos recebendo relatos inusitados escritos por gente que enfrentou os mais diversos problemas.
Minha amiga considerou piegas e até de mau-gosto o resultado da cobertura feita em primeira pessoa. Na época, usei vários argumentos demonstrando meu ponto de vista e ela usou igual quantidade de argumentos para me provar o seu. Aprendi muito naquele dia, embora mantenha minha crença de que o caminho é trazer cada vez mais a audiência para dentro da notícia como protagonista.
O mais interessante é perceber que a discussão divide outras opiniões e que tanto existem jornalístas que tem opiniões semelhantes a minha quanto existem aqueles que rezam pela cartilha da minha amiga. O denominador comum talvez esteja bem próximo de ser encontrado, mas enquanto isso não acontece, vou experimentando o fazer notícia nas suas diversas formas.
No link, o texto que provocou a discussão teórico-filosófica:
Trabalhar em dia de chuva, valha-me deus!
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quarta-feira, 16 de julho de 2008
"Jornalismo se faz na rua"
A frase acima não é minha. Na verdade creio que não tenha um dono específico, é mais uma daquelas expressões cunhadas no ambiente das redações. Mas essa semana a ouvi de um professor espanhol, durante uma palestra, e ao escutá-la, lembrei de um ex-colega de faculdade, também ex-colega de redação.
Fomos criados na rua, eu e este colega e mais centenas de jornalistas. A nossa geração é aquela situada entre os 30 e os 40 anos. Fomos para a rua cavar pautas, sentávamos no meio fio para conversar com as pessoas, ouvi-las e extrair delas o que de mais impressionante pode existir no cotidiano aparentemente sem graça. Portanto, nos consideramos "jornalistas de verdade".
Diante da nova geração, da turma na casa dos 20, nos sentimos meio tios, meio mestres, meio deslocados. Não falamos a lingua internética tão bem quanto os repórteres de agora, mas perseguimos a rede com sofreguidão, dispostos a aprender seus caminhos tortuosos e virtuais.
Durante a palestra, o mesmo professor espanhol chamou a nova geração de jornalistas-google. Meu ex-colega dizia a mesma coisa, as vezes até irritava outros colegas com as piadas sobre reportagens control c + control v. Destilava preconceito contra a internet - não, ele não faz parte do grupo de "tiozinhos" que tenta a todo custo aprender e apreender a rede.
Tenho de concordar com o professor espanhol e por tabela com o meu ex-colega, e admitir que atualmente existe uma preguiça desesperadora nas redações. Preguiça da geração atual, que, correndo o risco de ser saudosista, me parece meio apática, meio "aaah, fiz jornalismo porque achei que era cool". Desesperador para os apaixonados pela profissão, para os que não vivem sem a "cachaça" da notícia.
É apatia geral? Lógico que não. Todos os novos jornalistas, recém saidos da faculdade e das fraldas, eles entram na escola cada vez mais novinhos, são jornalistas-google? Também não. Para quê tentar reiventar a roda se nesse caso uma obviedade gritante resolve a questão? Lá vai a obviedade: Toda regra tem exceção.
Conheço jovens jornalistas brilhantes, conheço velhos jornalistas acomodados a ponto de criar raízes. Mas como hábito ruim é contagioso, percebo que cada vez mais existem novos jornalistas buscando o meio mais fácil de fazer notícia e notícia, na minha opinião, não é fácil pelo simples fato de que reflete a vida e a vida, até para ser divertida, mescla períodos de calmaria relaxantes e necessários, com outros daquela turbulência que nos força a rever posturas, refazer, reeditar, inventar, descobrir, enfim, caminhar para frente.
Fomos criados na rua, eu e este colega e mais centenas de jornalistas. A nossa geração é aquela situada entre os 30 e os 40 anos. Fomos para a rua cavar pautas, sentávamos no meio fio para conversar com as pessoas, ouvi-las e extrair delas o que de mais impressionante pode existir no cotidiano aparentemente sem graça. Portanto, nos consideramos "jornalistas de verdade".
Diante da nova geração, da turma na casa dos 20, nos sentimos meio tios, meio mestres, meio deslocados. Não falamos a lingua internética tão bem quanto os repórteres de agora, mas perseguimos a rede com sofreguidão, dispostos a aprender seus caminhos tortuosos e virtuais.
Durante a palestra, o mesmo professor espanhol chamou a nova geração de jornalistas-google. Meu ex-colega dizia a mesma coisa, as vezes até irritava outros colegas com as piadas sobre reportagens control c + control v. Destilava preconceito contra a internet - não, ele não faz parte do grupo de "tiozinhos" que tenta a todo custo aprender e apreender a rede.
Tenho de concordar com o professor espanhol e por tabela com o meu ex-colega, e admitir que atualmente existe uma preguiça desesperadora nas redações. Preguiça da geração atual, que, correndo o risco de ser saudosista, me parece meio apática, meio "aaah, fiz jornalismo porque achei que era cool". Desesperador para os apaixonados pela profissão, para os que não vivem sem a "cachaça" da notícia.
É apatia geral? Lógico que não. Todos os novos jornalistas, recém saidos da faculdade e das fraldas, eles entram na escola cada vez mais novinhos, são jornalistas-google? Também não. Para quê tentar reiventar a roda se nesse caso uma obviedade gritante resolve a questão? Lá vai a obviedade: Toda regra tem exceção.
Conheço jovens jornalistas brilhantes, conheço velhos jornalistas acomodados a ponto de criar raízes. Mas como hábito ruim é contagioso, percebo que cada vez mais existem novos jornalistas buscando o meio mais fácil de fazer notícia e notícia, na minha opinião, não é fácil pelo simples fato de que reflete a vida e a vida, até para ser divertida, mescla períodos de calmaria relaxantes e necessários, com outros daquela turbulência que nos força a rever posturas, refazer, reeditar, inventar, descobrir, enfim, caminhar para frente.
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