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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

A convergência invade o blog

Da série, a quem interessar possa...

Fiz uma resenha de um texto acadêmico para uma das disciplinas da Pós. Já que a convergência é o tema da moda, meus rabiscos podem ser úteis para algum jornalista perdido. Acreditem, eu também ainda estou tateando o caminho.

Resenha - Convergência de mídias: metodologias de pesquisa e delineamento do campo brasileiro; Profª Drª Elizabeth Saad Corrêa

Neste documento, apresentado durante o Seminário do Acordo de Cooperação Brasil-Espanha, em dezembro de 2007, na Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia (Facom/Ufba), a autora propõe a adoção de uma metodologia de pesquisa para o desenvolvimento de trabalhos científicos tendo como tema a convergência, que ela considera, por sua vez, um sub-tema do vasto campo de estudos das Ciências da Comunicação.

Na medida em que discorre sobre a adoção de um modelo epistemológico que dê mais coesão aos diversos estudos da área, a professora e doutora Elizabeth Saad Corrêa revisa as principais teorias sobre convergência ora em curso. Também apresenta conceitos tomados como parâmetro para análise das realidades das redações que convergiram 100%; iniciaram o processo recentemente; malograram na adoção da convergência como diretriz, ou ainda; que se mantêm alienadas da chamada nova ordem da prática diária do jornalismo, optando por não convergir.

Um dos aspectos mais importantes do trabalho é a ênfase da especialista na “necessidade de redobrarem-se os cuidados na abordagem de um método científico de estudo e tratamento temático”, tanto no que diz respeito à delimitação da área de estudos, quanto no que confere evitar o uso de fórmulas prontas para um campo de pesquisa ainda em fase de demarcação.

A autora lembra que o termo convergência é usado desde aspectos tecnológicos até no que diz respeito à estrutura organizacional, diferentes níveis de processo de produção de conteúdos, modelos de negócios etc. Faz-se necessário estabelecer de que convergência se está falando e em que nível.

Para efeito de criação de uma metodologia tendo em vista o estudo da convergência midiática no meio jornalístico, a opção é “pela aplicação do termo nos ambientes midiáticos”. Uma vez estabelecida de que convergência se fala, surge o desafio de correlacionar os diversos aspectos que interagem e integram a convergência nas redações (desde a integração do espaço físico, passando pela produção e distribuição multiplataforma, até a capacitação dos profissionais envolvidos).

“Todos os aspectos correlatos à convergência brevemente listados apontam para a necessidade, em termos metodológicos, de construção de modelos de convergência que incluam variáveis de ordem tecnológica, estratégica, organizacional, comunicacional e narrativa.”

Para abarcar toda a multiplicidade do cenário, ou cenários, que possibilitam o desenvolvimento das redações convergentes, Elizabeth Saad Corrêa propõe, se necessário, um redesenho das teorias da comunicação, destacando-as de suas origens tradicionais de forma a possibilitar que contemplem tanto a evolução tecnológica quanto as conseqüências para as relações sociais.

A interatividade da audiência, personalização e customização dos conteúdos, seja nos meios jornalísticos ou não, configuram-se em outro recorte especíifico de estudo, um sub-produto da convergência ou determinante da sua existência? Descobrir a resposta para tal indagação é um dos desafios para estudiosos da área, propõe.

Estudos de caso, comparações, benchmarking, tendo em vista as incontáveis experiências de convergência já feitas na Europa, seriam alternativas viáveis, dentro do método de pesquisa proposto pela autora, para análise da evolução do processo de integração e convergência midiática no Brasil.

Na proposta da criação de uma metodologia de pesquisa para o estudo da convergência, não falta à autora preocupação com as questões práticas do processo, tanto no que confere a adaptação dos profissionais aos novos métodos de produção, quanto com relação à sustentabilidade, em longo prazo, dos modelos adotados nas empresas do Brasil ou no exterior.

Devido à sua formação também em administração de empresas, Elizabeth Saad Corrêa entende que a convergência configura-se antes de mais nada em um novo modelo de negócios cujo maior foco de resistência, muitas vezes, está além da redação, plantado nos modelos de gestão herdados da cultura de empresas familiares que detém o controle de determinada ou determinadas mídias.

Por fim, a autora propõe uma estrutura de estudo, em quatro fases, cujas duas principais e mais diretamente ligadas à prática diária do jornalismo são: a avaliação da empresa e seu posicionamento estratégico no mercado, levando em conta principalmente os modelos de gestão adotados; e, a contextualização dessa organização (empresa) no cenário da convergência.

“Quanto mais próxima da integração total uma empresa informativa estiver posicionada no espectro, maior o envolvimento de outras áreas organizacionais no processo de convergência, e maior a sua sustentabilidade e perspectivas futuras”.

Andreia Santana
Resumo apresentado para a disciplina Convergência Midiática aplicada ao Jornalismo
Pós Graduação em Jornalismo e Convergência Midiática
Faculdade Social da Bahia
Outubro de 2008

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Sobre cientistas, trabalhos escolares e calor

Revolta total contra os pseudo-cientistas que perdem tempo e disperdiçam dinheiro necessário a cura da Aids, do câncer e da fome no mundo, reforçando estereótipos contra as mulheres na nossa sociedade misógena. É isso aí, Conversa de Menina fez seu primeiro post declaradamente feminista. Leiam aqui.

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Um disparo com bala de festim no professor. Tanto tempo pesquisando, lendo e relendo textos, links e tudo o que caiu diante dos olhos, para escrever um artigo acadêmico, entregar o dito trabalho no prazo e descobrir que o prazo foi dilatado. Sorte dos meus colegas, que depois de um mês, precisavam de mais tempo. Mas eu não troco o meu alívio por ter arrancado logo este band-aid. Ainda tenho 25 dias de férias. Haroun e outras delícias literárias me aguardam.

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Ainda tem gente que diz que o efeito estufa não existe. Esse calor em Salvador vai me matar. O sol frita os miolos. A atmosfera abafada faz adoecer. Socorro, meu reino por temperaturas mais amenas.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Conceito: Gatekeeper

Da série, Definições no dicionário da convergência

Porteiro do céu: São Pedro
Porteiro do Inferno: Cérberos
Porteiro do sonho: o escritor
Porteiro da vida, do cotidiano...: eu, jornalista

Gatekeeping: "...o editor do jornal providencia (apesar de poder nunca estar consciente deste fato) para que a comunidade ouça como fato somente aqueles acontecimentos que o jornalista, como o representante de sua cultura, acredita serem verdade"
David M. White

Tradução livre pelo senso comum: jornalista é um tipo de porteiro bem arrogante.

...e tudo isso porque hoje na redação foi lançada uma questão interessante de se refletir: "Nosso negócio é informação, informar é servir".

Conclusão zen-budista: há que se exercitar a humildade para bem servir!

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Converge ou não converge?

Definições para convergência:

No dicionário

Do verbo convergir: Tender ou dirigir-se (para o mesmo fim), concorrer, afluir (ao mesmo ponto).

No jornalismo


"Processo multidimensional que, facilitado pela generalização das tecnologias digitais em telecomunicações, afeta o âmbito tecnológico, empresarial, profissional e editorial dos meios de comunicação, proporcionando uma integração de ferramentas, espaços e métodos de trabalho e linguagens anteriormente desagregados, de forma que os jornalistas elaborem conteúdos que se distribuem através de múltiplas plataformas, mediante as linguagens próprias de cada uma".

Na redação

Chegar às 9h, trabalhar até às 18h e ser capaz de: coordenar uma editoria, editar uma home page, fazer pauta, orientar repórter, editar texto, escrever relatório, assistir reunião, fazer post para um dos blogs do portal, tratar fotos, rir das piadas mais exdrúxulas que chegam pelo messenger ou pelo spark...

No entendimento da minha avó

"Assobiar e chupar cana ao mesmo tempo, pulando corda"

Na vida de uma criatura de trinta e poucos anos:

A estrada reta acabou e surge à frente uma bifurcação de dois caminhos. Um leva à vida pessoal, o outro à realização profissional. A estrada é o ponto de convergência dos dois caminhos. E aí, converge ou não converge? Hummmm...pausa para rever a trajetória e, se preciso, recomeçar a caminhada.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Convergência via msn

Durante uma aula, discutindo convergência, integração multimídia, jornalismo cidadão (feito em colaboração ou pela própria audiência) e como planejar coberturas que se interliguem ao mesmo tempo na web, no jornal impresso, rádio e tv aberta e que tenham alto índice de interatividade, lembrei de um dia de chuva, dois meses atrás, em que tive uma saudável discussão via msn com uma amiga e ex-colega.

A polêmica começou porque, para estimular a audiência a enviar relatos das agruras vividas durante o temporal, decidi relatar o que eu mesma tinha vivido, em primeira pessoa, despindo -me da capa de jornalista para revelar a cidadã que anda de ônibus e vive numa capital com problemas de infra-estrutura urbana históricos. Não satisfeita, decidi incentivar outras pessoas da minha equipe a fazer o mesmo e em pouco tempo, estávamos recebendo relatos inusitados escritos por gente que enfrentou os mais diversos problemas.

Minha amiga considerou piegas e até de mau-gosto o resultado da cobertura feita em primeira pessoa. Na época, usei vários argumentos demonstrando meu ponto de vista e ela usou igual quantidade de argumentos para me provar o seu. Aprendi muito naquele dia, embora mantenha minha crença de que o caminho é trazer cada vez mais a audiência para dentro da notícia como protagonista.

O mais interessante é perceber que a discussão divide outras opiniões e que tanto existem jornalístas que tem opiniões semelhantes a minha quanto existem aqueles que rezam pela cartilha da minha amiga. O denominador comum talvez esteja bem próximo de ser encontrado, mas enquanto isso não acontece, vou experimentando o fazer notícia nas suas diversas formas.

No link, o texto que provocou a discussão teórico-filosófica:

Trabalhar em dia de chuva, valha-me deus!

"Jornalismo se faz na rua"

A frase acima não é minha. Na verdade creio que não tenha um dono específico, é mais uma daquelas expressões cunhadas no ambiente das redações. Mas essa semana a ouvi de um professor espanhol, durante uma palestra, e ao escutá-la, lembrei de um ex-colega de faculdade, também ex-colega de redação.

Fomos criados na rua, eu e este colega e mais centenas de jornalistas. A nossa geração é aquela situada entre os 30 e os 40 anos. Fomos para a rua cavar pautas, sentávamos no meio fio para conversar com as pessoas, ouvi-las e extrair delas o que de mais impressionante pode existir no cotidiano aparentemente sem graça. Portanto, nos consideramos "jornalistas de verdade".

Diante da nova geração, da turma na casa dos 20, nos sentimos meio tios, meio mestres, meio deslocados. Não falamos a lingua internética tão bem quanto os repórteres de agora, mas perseguimos a rede com sofreguidão, dispostos a aprender seus caminhos tortuosos e virtuais.

Durante a palestra, o mesmo professor espanhol chamou a nova geração de jornalistas-google. Meu ex-colega dizia a mesma coisa, as vezes até irritava outros colegas com as piadas sobre reportagens control c + control v. Destilava preconceito contra a internet - não, ele não faz parte do grupo de "tiozinhos" que tenta a todo custo aprender e apreender a rede.

Tenho de concordar com o professor espanhol e por tabela com o meu ex-colega, e admitir que atualmente existe uma preguiça desesperadora nas redações. Preguiça da geração atual, que, correndo o risco de ser saudosista, me parece meio apática, meio "aaah, fiz jornalismo porque achei que era cool". Desesperador para os apaixonados pela profissão, para os que não vivem sem a "cachaça" da notícia.

É apatia geral? Lógico que não. Todos os novos jornalistas, recém saidos da faculdade e das fraldas, eles entram na escola cada vez mais novinhos, são jornalistas-google? Também não. Para quê tentar reiventar a roda se nesse caso uma obviedade gritante resolve a questão? Lá vai a obviedade: Toda regra tem exceção.

Conheço jovens jornalistas brilhantes, conheço velhos jornalistas acomodados a ponto de criar raízes. Mas como hábito ruim é contagioso, percebo que cada vez mais existem novos jornalistas buscando o meio mais fácil de fazer notícia e notícia, na minha opinião, não é fácil pelo simples fato de que reflete a vida e a vida, até para ser divertida, mescla períodos de calmaria relaxantes e necessários, com outros daquela turbulência que nos força a rever posturas, refazer, reeditar, inventar, descobrir, enfim, caminhar para frente.