domingo, 22 de fevereiro de 2009

Contagem regressiva: faltam três dias!

Meu amado Nelsinho não quer que eu conte, mas não resisto: faltam três dias para acabar o reinado de Gerônimo. Com todo respeito que devo ao criador de É D'Oxum, não vejo a hora desse povo ir para casa e minha vida voltar à sua rotina normal de trabalho honesto em madrugadas calmas.

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Resumo da noite de ontem. Ou seria madrugada de hoje?

Sábado de Carnaval é dia da saída do Ilê. O mais belo dos belos eu respeito. Mas quem faltou ao respeito com o coral negro foram o governador Wagner e o publicitário Nizan Guanaes. O primeiro levou escolta policial e o segundo, três seguranças. Isso é que é consideração ao trabalho social que o bloco desenvolve no bairro do Curuzu. Lamentável que nossos "homens fortes" tenham medo do povo. Na certa é consciência pesada...

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E neste domingo, the oscar goes to...Um consolo e tanto em meio a insanidade geral do Carnaval.

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Tambores da minha liberdade

A segunda madrugada momesca avança e os sinais da minha impaciência para a festa terminar são nítidos. As piadas tornam-se mais ácidas, a ironia, o último recurso de sobrevivência da inteligência agredida por letras como "rala a checa no chão?!"

Os desfiles atrasam, a vistoria dos trios acontece na última hora e a ordem de entrada nas passarelas carnavalescas é alterada. Olho para o relógio, isso não vai dar certo, murmuro desconfiada. E não dá mesmo, bloco entrando na avenida com sete horas de atraso?! Significa que minha madrugada vai virar manhã.

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A noção de tempo de alguém que troca os dias pela noite muda radicalmente. Você toma o café da manhã na hora do lanche da meia-noite. Vai dormir na hora de acordar. Acorda e cai direto, de boca, garfo e faca, no prato do almoço e lá para o meio da tarde, que sono terrível. Meia horinha de cochilo para enfrentar outra madrugada.

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A segunda noite do Carnaval teve Timbalada, Olodum e Cortejo Afro. Belo desfile desse último, mas saiu às 23h30, sem público, só com as imagens da TV estatal. Uma pena, os tambores do cortejo anunciavam liberdade, a minha. Outra olhada para o relógio, faltam pouco menos de cinco horas para encerrar minha transmissão.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Madrugada do Momo Gerônimo

Da série, o passo-a-passo de uma cobertura

O Carnaval de Salvador já começou. O rei Momo é o cantor e compositor Gerônimo. Um cara resistente, que tem a capacidade de se reinventar e sobreviver ao boom do axé fazendo o estilo de música em que acredita. Na massa homogênea do Carnaval, com cantoras chapinhadas e malhadas, Gerônimo, barrigudo, um senhor de meia-idade, mantém o charme da origem do samba-reggae. O que me atrai no samba-reggae, na salsa, nos ritmos de raiz que ele preserva? Justamente isso, o fato de serem de raiz, de manterem a origem das coisas em seu devido lugar de respeito.

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O A TARDE On Line está com hotsite para cobrir a folia comandada pelo rei Gerônimo. Eis o motivo pelo qual minhas madrugadas serão longas até a Quarta-feira de Cinzas.

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Plantões madrugada à dentro são incovenientes no que diz respeito a dieta e ao sono, mas os riscos de infarto são atenuados pelo santo remédio que é rir das piadas de colegas tão mal-alimentados e mal-dormidos quanto você. A solidariedade entre os notívagos me fascina e ajuda a manter o ânimo, mesmo na cobertura do Carnaval.

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"Chove lá fora e aqui faz tanto frio". Está realmente chovendo baldes (para refrescar a falta de juízo dos foliões) e a redação está geladíssima.

P.S.: anotação mental para a segunda-noite: pedir o controle remoto do ar condicionado e deixá-lo ao alcance dos dedinhos que voam pelo teclado.

Primeiro dia - Já é Carnaval cidade, socorro!

Da série, o passo-a-passo de uma cobertura

Se engane não leitor. Embora pretenda dividir com vocês o meu suplício em trabalhar seis madrugadas seguidas, Carnaval à dentro - o problema não são as madrugadas, que me descobri notívaga, mas a folia de Momo -, os detalhes me escapam, porque como todo ser humano, tendo à autoindulgência.

Na medida do possível tentarei narrar os fatos mais marcantes do meu carnaval pessoal em detalhes. Não adianta narrar o que todo mundo vai ver na TV e acessar na internet. Então, como a moda é buscar o diferencial na árdua luta pela sobrevivência, meu diferencial é contar sobre a rotina miudinha que vivo.

Comecei a quinta-feira carnavalesca filosofando sobre a mentira e suas consequências. Tá lá no Conversa de Menina. Alane agradece a audiência!

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

O abominável mundo dos camarotes

Há mais de um mês é impossível transitar pelo centro de Salvador, no trecho que se estende entre a praça do poeta (Castro Alves) até a avenida Ademar de Barros, em Ondina. São os tais dos 25 quilômetros da "Cidade Efêmera do Carnaval". Por ser efêmera a gente até se resigna a suportar dias tormentosos entre meados de janeiro e o começo de março, quando as famigeradas estruturas carnavalescas empurram pedestres para o meio da pista. No entanto, nada me impede de bradar para a minha meia dúzia de fieis leitores, o quanto me irrita viver em Salvador nessa época do ano. Com todo respeito à tradição milenar do Carnaval, - aliás iniciei até uma série sobre a história da festa lá no Conversa de Menina -, quem reclama aqui neste espaço agora é a cidadã, moradora de Salvador e não a jornalista que tem de cobrir a festa por força da profissão. Gente, eu odeio Carnaval com cada célula do meu ser. Acho a festa horrível, as músicas de gosto duvidoso, detesto multidões suadas se espremendo e trocando bactérias. Mas durante a festa é simples conviver com ela. Moro quilômetros longe dos circuitos da folia. Trabalho em uma zona da cidade que mal vê ecos carnavalescos em foliões tardios que dormem nos ônibus. Nem uma notinha de axé music, graças ao deus protetor da boa música. Mas, centro da cidade é centro da cidade e por mais que a gente tente, não há como fugir de transitar por essas áreas nos dias que antecedem essa versão fake das antigas lupercálias e dionisíacas. Pois bem, durante a montagem da cidade efêmera do carnaval, atos prosaicos do cotidiano como ir ao banco, ir ao médico, fazer o cooper matinal que ajuda a manter o AVC e o infarto distantes, tornam-se impossíveis. Engarrafamentos monstruosos, barulho ensurdecedor com o baticum da montagem das tais estruturas, mudança nos roteiros dos ônibus porque tal rua foi fechada para o bloco passar...O pior é que todo ano a imprensa escrita, virtual, televisiva e radiofônica faz matérias mostrando os transtornos do Carnaval para a vida do cidadão comum, mas o efeito é semelhante ao do desabafo neste blog. Apenas serve como catarse coletiva de um mal que, por falta de planejamento adequado, é dos tais sem solução.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

A convergência invade o blog

Da série, a quem interessar possa...

Fiz uma resenha de um texto acadêmico para uma das disciplinas da Pós. Já que a convergência é o tema da moda, meus rabiscos podem ser úteis para algum jornalista perdido. Acreditem, eu também ainda estou tateando o caminho.

Resenha - Convergência de mídias: metodologias de pesquisa e delineamento do campo brasileiro; Profª Drª Elizabeth Saad Corrêa

Neste documento, apresentado durante o Seminário do Acordo de Cooperação Brasil-Espanha, em dezembro de 2007, na Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia (Facom/Ufba), a autora propõe a adoção de uma metodologia de pesquisa para o desenvolvimento de trabalhos científicos tendo como tema a convergência, que ela considera, por sua vez, um sub-tema do vasto campo de estudos das Ciências da Comunicação.

Na medida em que discorre sobre a adoção de um modelo epistemológico que dê mais coesão aos diversos estudos da área, a professora e doutora Elizabeth Saad Corrêa revisa as principais teorias sobre convergência ora em curso. Também apresenta conceitos tomados como parâmetro para análise das realidades das redações que convergiram 100%; iniciaram o processo recentemente; malograram na adoção da convergência como diretriz, ou ainda; que se mantêm alienadas da chamada nova ordem da prática diária do jornalismo, optando por não convergir.

Um dos aspectos mais importantes do trabalho é a ênfase da especialista na “necessidade de redobrarem-se os cuidados na abordagem de um método científico de estudo e tratamento temático”, tanto no que diz respeito à delimitação da área de estudos, quanto no que confere evitar o uso de fórmulas prontas para um campo de pesquisa ainda em fase de demarcação.

A autora lembra que o termo convergência é usado desde aspectos tecnológicos até no que diz respeito à estrutura organizacional, diferentes níveis de processo de produção de conteúdos, modelos de negócios etc. Faz-se necessário estabelecer de que convergência se está falando e em que nível.

Para efeito de criação de uma metodologia tendo em vista o estudo da convergência midiática no meio jornalístico, a opção é “pela aplicação do termo nos ambientes midiáticos”. Uma vez estabelecida de que convergência se fala, surge o desafio de correlacionar os diversos aspectos que interagem e integram a convergência nas redações (desde a integração do espaço físico, passando pela produção e distribuição multiplataforma, até a capacitação dos profissionais envolvidos).

“Todos os aspectos correlatos à convergência brevemente listados apontam para a necessidade, em termos metodológicos, de construção de modelos de convergência que incluam variáveis de ordem tecnológica, estratégica, organizacional, comunicacional e narrativa.”

Para abarcar toda a multiplicidade do cenário, ou cenários, que possibilitam o desenvolvimento das redações convergentes, Elizabeth Saad Corrêa propõe, se necessário, um redesenho das teorias da comunicação, destacando-as de suas origens tradicionais de forma a possibilitar que contemplem tanto a evolução tecnológica quanto as conseqüências para as relações sociais.

A interatividade da audiência, personalização e customização dos conteúdos, seja nos meios jornalísticos ou não, configuram-se em outro recorte especíifico de estudo, um sub-produto da convergência ou determinante da sua existência? Descobrir a resposta para tal indagação é um dos desafios para estudiosos da área, propõe.

Estudos de caso, comparações, benchmarking, tendo em vista as incontáveis experiências de convergência já feitas na Europa, seriam alternativas viáveis, dentro do método de pesquisa proposto pela autora, para análise da evolução do processo de integração e convergência midiática no Brasil.

Na proposta da criação de uma metodologia de pesquisa para o estudo da convergência, não falta à autora preocupação com as questões práticas do processo, tanto no que confere a adaptação dos profissionais aos novos métodos de produção, quanto com relação à sustentabilidade, em longo prazo, dos modelos adotados nas empresas do Brasil ou no exterior.

Devido à sua formação também em administração de empresas, Elizabeth Saad Corrêa entende que a convergência configura-se antes de mais nada em um novo modelo de negócios cujo maior foco de resistência, muitas vezes, está além da redação, plantado nos modelos de gestão herdados da cultura de empresas familiares que detém o controle de determinada ou determinadas mídias.

Por fim, a autora propõe uma estrutura de estudo, em quatro fases, cujas duas principais e mais diretamente ligadas à prática diária do jornalismo são: a avaliação da empresa e seu posicionamento estratégico no mercado, levando em conta principalmente os modelos de gestão adotados; e, a contextualização dessa organização (empresa) no cenário da convergência.

“Quanto mais próxima da integração total uma empresa informativa estiver posicionada no espectro, maior o envolvimento de outras áreas organizacionais no processo de convergência, e maior a sua sustentabilidade e perspectivas futuras”.

Andreia Santana
Resumo apresentado para a disciplina Convergência Midiática aplicada ao Jornalismo
Pós Graduação em Jornalismo e Convergência Midiática
Faculdade Social da Bahia
Outubro de 2008

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

"Pense no absurdo...

...na Bahia tem precedente". A frase do ex-governador Otávio Mangabeira, tantas vezes usada e abusada, serve mais uma vez de introdução para a minha série pessoal de desgostos com a humanidade. Só leio jornal ultimamente por obrigação. Pra um jornalista admitir isso é doloroso, acreditem.

Notícias do dia que estragam o café da manhã:

1 - Polícia suiça questiona gravidez de brasileira agredida e não cita em relatório de ocorrência que a motivação da agreção foi racismo. Que lindo, agora, vamos desviar o foco da mídia para o fato da moça espancada e marcada com estiletes estar ou não grávida. Me respondam aí, o fato dela ter ou não perdido os bebês, o fato de existirem ou não bebês, muda o fato de que uma mulher foi espancada por três caras, marcada com golpes de estilete e humilhada? Daqui a pouco, anotem aí, vão dizer que a tal moça estava na Suiça se prostituindo, como se isso mudasse o fato de que uma mulher foi agredida, de que um ser humano foi agredido. Já vi que em matéria de atendimento às vítimas de violência, quando elas são do sexo feminino, principalmente, a Suiça e o Brasil se equivalem e acreditam que a culpa é da vítima.

2 - Pelos lados de cá a notícia é mais dramática. João Henrique Carneiro, alcaide de Salvador, declarou em rede nacional que vai usar o dinheiro da merenda escolar e dos remédios nos postos de saúde para pagar o Carnaval. Outra beleza de notícia. A uma altura dessas, já larguei minha caneca de café com leite e desisti do pãozinho quente com manteiga. Será que o prefeito não sabe que para muitas crianças paupérrimas dessa terra, ir à escola não representa apenas alimentar-se de conhecimento, mas ter a chance de matar a fome física, de pão? A hora da merenda é a única refeição decente que essas crianças vão ter o dia inteiro, mas é preciso patrocinar o Carnaval, garantir que o turista, talvez os suiços, vejam muitas brasileiras semi-nuas dançando na avenida e por isso saiam daqui acreditando que a primeira "vagabunda brazuca" que eles encontrarem em Zurique merece ser retalhada com estiletes.