Queridos e queridas visitantes,
Decidi mudar o blog de ferramenta. Optei por uma que irá me possibilitar mais recursos e uma interface melhor de trabalhar. Também resolvi unir os dois blogs que eu vinha mantendo, este e o Estação de Sonho, criando um só, que traduz o meu ser e estar no mundo: uma mistura de literatura, crônicas do cotidiano, o encanto da vida real, a magia da ficção, pitadas de uma autobiografia... Infelizmente, não tenho como migrar o conteúdo do Blogger para o Wordpress, por algumas incompatibilidades técnicas. Fiz todas as tentativas, mas não deram certo. Minha versão do blogger não é atual e isso dificultou as coisas. Portanto, de agora em diante, começarei um trabalho de formiguinha, migrando pouco a pouco meus textos, fotos e links para a página nova. A lista de blogs e a apresentação do novo projeto estão concluídos. Aviso que linkei todos vocês no novo blog, pois não vivo sem as suas palavras. Para não perder os comentários maravilhosos que postaram neste espaço, dividindo comigo ideias e visão de mundo, não irei desativar as páginas do blogger, só não irei alimentá-las mais. Quem quiser continuar acompanhando minha produção na rede, está convidado a visitar o Mar de Histórias
terça-feira, 3 de março de 2009
domingo, 1 de março de 2009
Blogosfera, poesia e livro de terror
Da série, crônicas de um fim de semana de repouso
SÁBADO:
- Dia dedicado a estudar a blogosfera pelo avesso e direito. Leitura e fichamento de texto acadêmico é castigo divino, com certeza, mas há certos castigos que nós mesmos nos impomos, seja por necessidade ou até por masoquismo. No meu caso é fome. Ainda não saí da idade dos porquês.
- Que bom que não tinha sol. Fevereiro anunciava março e suas nuvens carregadas da chuva que lava o verão da memória.
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
Na fronteira entre ontem e hoje segui uma dica de leitura de mytreusis. Sorria e Morra é o titulo sugestivo que abre a série Goosebumps (calafrios!). "Terror infanto-juvenil mamãe, nem assusta!". Quem disse?! Experimenta ler à meia-noite, numa sala vazia, na casa onde todos dormem. Mais cedo, minha mãe jura que ouviu um livro sussurrar.
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DOMINGO:
- Acordar ou não acordar, eis a questão! Acordei, havia um verso martelando o juízo e nem adiantava ignorá-lo e virar para o outro lado... Postei aqui na Estação de Sonho, o blog que tem cor de areia do mar.
- No Conversa de Menina, escrevi um perfil para revelar bell hooks.
SÁBADO:
- Dia dedicado a estudar a blogosfera pelo avesso e direito. Leitura e fichamento de texto acadêmico é castigo divino, com certeza, mas há certos castigos que nós mesmos nos impomos, seja por necessidade ou até por masoquismo. No meu caso é fome. Ainda não saí da idade dos porquês.
- Que bom que não tinha sol. Fevereiro anunciava março e suas nuvens carregadas da chuva que lava o verão da memória.
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Na fronteira entre ontem e hoje segui uma dica de leitura de mytreusis. Sorria e Morra é o titulo sugestivo que abre a série Goosebumps (calafrios!). "Terror infanto-juvenil mamãe, nem assusta!". Quem disse?! Experimenta ler à meia-noite, numa sala vazia, na casa onde todos dormem. Mais cedo, minha mãe jura que ouviu um livro sussurrar.
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DOMINGO:
- Acordar ou não acordar, eis a questão! Acordei, havia um verso martelando o juízo e nem adiantava ignorá-lo e virar para o outro lado... Postei aqui na Estação de Sonho, o blog que tem cor de areia do mar.
- No Conversa de Menina, escrevi um perfil para revelar bell hooks.
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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
Pela boca de Dionísio
Resgatei a antiga paixão por vinhos, tirei a poeira de velhos escritos...Que saudades que eu tenho, da aurora da minha vida de repórter, embora também seja feliz, comendo o pão que os repórteres amassam, na lida diária de editora. Mas, nostalgia é o estado de espirito que afeta apenas aqueles que tem boas lembranças para compartilhar. Falei pela boca de Dionísio, lá no Conversa de Menina.
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
Redescobrindo o universo

Exercício de Ciências. Tarde nublada. Calor abafado no quarto. Uma letra muito redonda e bonita no caderno explica a origem do universo:
- Qual a diferença entre a teoria do Big Bang e a do estado estacionário?
Google, revistas Ciência Hoje da década de 80 ("essas aqui são do tempo em que eu estava na escola"), explicações, digressões, nos perdemos em citações, recuperamos o foco, resposta no caderno.
- Pesquisa aí o que é galáxia...
- "Aglomerado de estrelas, cometas, planetas, poeira cósmica e gases..."
- O quê é aglomerado?
- Um amontoado, várias coisas juntas...
- Aahh, mais uma palavra para o meu vocabulário
- Nossa galáxia é a via láctea. Os antigos a chamavam de "caminho de leite"
- Por quê?
- Porque, diz a lenda, que quando estava sendo amamentado, Hérculos apertou o seio de sua mãe e o leite se esparramou, formando um caminho para as estrelas.
- Bonito isso, vou anotar aqui!
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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
Algumas considerações finais sobre o Carnaval
1 - Que bom que acabou!
2 - Descobri que é possível acordar de ressaca sem ter bebido uma gota de álcool ou consumido qualquer outro tipo de aditivo, exceto chocolates. Ressaca de sono deve ser tão ruim quanto ressaca de cachaça. Atenção às sensações: cabeça pesada, tontura, moleza no corpo, gosto ruim na boca (até água fica esquisita), entorpecimento...
3 - A cidade ontem deserta e deprimida, hoje acordou barulhenta pra caramba. Tem uma fábrica embaixo da minha janela e dois canteiros de obras nas cercanias do prédio onde eu morro. Parem as máquinas, pelo amor de deus!
4 - Acabo de me lembrar que em meio aos plantões momescos, esqueci completamente de fazer o dever de casa!! Preciso definir o meu objeto de estudo e escrever uma apresentação...se é que vocês me entendem. Se não entendem, sem problemas, hoje o dia tá confuso como em toda Quarta-feira de Cinzas que se preza.
5 - Daqui a pouco tem o bom e velho plantão de corujinha da meia-noite. Nada como o conforto da rotina para ajudar a aclarar as idéias.
2 - Descobri que é possível acordar de ressaca sem ter bebido uma gota de álcool ou consumido qualquer outro tipo de aditivo, exceto chocolates. Ressaca de sono deve ser tão ruim quanto ressaca de cachaça. Atenção às sensações: cabeça pesada, tontura, moleza no corpo, gosto ruim na boca (até água fica esquisita), entorpecimento...
3 - A cidade ontem deserta e deprimida, hoje acordou barulhenta pra caramba. Tem uma fábrica embaixo da minha janela e dois canteiros de obras nas cercanias do prédio onde eu morro. Parem as máquinas, pelo amor de deus!
4 - Acabo de me lembrar que em meio aos plantões momescos, esqueci completamente de fazer o dever de casa!! Preciso definir o meu objeto de estudo e escrever uma apresentação...se é que vocês me entendem. Se não entendem, sem problemas, hoje o dia tá confuso como em toda Quarta-feira de Cinzas que se preza.
5 - Daqui a pouco tem o bom e velho plantão de corujinha da meia-noite. Nada como o conforto da rotina para ajudar a aclarar as idéias.
terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
A vida na cidade off Carnaval

Costumo admirar a cidade em dias de feriado. Mais até, como já declarei de outras vezes, sinto-me dona das ruas. Desfruto o poder de andar pelas calçadas sem esbarrar em ninguém, deserto de concreto, entregue à contemplação. Mas a solidão da cidade off carnaval não é contemplativa, é mais triste, talvez porque seu oposto, a cidade da folia, alguns quilômetros e viadutos à frente, seja alegre demais. A felicidade fake do Carnaval, com seu colorido berrante e os trios ensurdecedores, como se gritassem EI, É PROIBIDO FICAR TRISTE PELOS PRÓXIMOS SEIS DIAS, embotam e contaminam as ruas desertas da cidade off carnaval.
Desço uma ladeira, em direção ao plantão, ninguém nas ruas. O vigilante de uma obra me dá boa-noite e deseja bom trabalho, sinto um suspiro em sua voz. Resignado em ganhar o pão, não participa do espetáculo lá na outra cidade, as contas se pagam nessa. Ao atravessar o estacionamento de um grande supermercado, que me serve de atalho para alcançar o ponto de ônibus, mais rostos anônimos e dolorosamente tristes empurram carrinhos de compras. São os excluídos da folia. Ou paga-se o abadar, ou compra-se o almoço da semana, lembro de Cecília Meirelles e do eterno dilema que nos cerca, ou isto ou aquilo, eterno estado de escolha da condição humana. Poderiam sair fantasiados de pipoca, os tristes rostos resignados que vejo, mas o risco da cotovelada na costela, do soco no olho, quiçá de uma facada, não vale a pena.
Na rua onde trabalho, luzes só as pálidas penduradas nos postes. São um pouco mais brilhantes no prédio do jornal. A avenida de grande movimento em dias comuns, entrega-se à modorra de um feriado em que somos todos obrigados a gostar de foliar. Um carro para ao meu lado, o motorista, sotaque de fora da Bahia, pede orientações sobre como chegar na Barra. Indico as vias tortuosas que ele vai ter de percorrer, verdadeiro labirinto de vielas pasmacentas. O coitado queria viver cada segundo de festa, mas está hospedado na cidade off carnaval. Com suas ruas desertas, convertidas quase todas em mesma paisagem, essa cidade de tristeza não abre suas fronteiras com facilidade para aqueles que desejam escapar para a outra, aquela que brilha com as cores de Momo.
Respiro o ar deserto da cidade off carnaval e entro na redação, para viver o simulacro de festa que o plantão me reserva. Tédio profundo, mas agora só falta um dia.
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O impacto da cobertura do quinto dia de folia foi reduzido a cena de uma mulher, completamente nua, dançando um pagode de letra grotesca sobre um trio elétrico. Aquilo me falou tão fundo na condição de fêmea, que apelei para bell hooks e escrevi esse desabafo aqui, no Conversa de Menina.
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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009
Quarto dia - and the oscar goes to...

A melhor coisa do quarto dia de Carnaval, acreditem, foi a cerimônia do Oscar. Quem quer ser um milionário? comprovou o favoritismo. Quando o oba-oba em torno do filme terminar, eu assisto e tiro minhas próprias conclusões. Embora Danny Boyle seja um nome para se levar em consideração, mesmo que até hoje eu não tenha me dignado a assistir Transpoiting. Tem o DVD aqui em casa há séculos, mas eu não assisti ainda. Tenho umas birras próprias. Lá um dia eu pego e assisto. Na prateleira de Bobbie também tem Pornô, o livro que dá continuidade a história de Transpointing, mas o rosa berrante da capa me assustou um pouco. Não é o número um da minha lista de coisas para ler. Lá um dia, quem sabe, pego e leio.
Entre um trio e outro, de esquelha, dava uma olhadinha na cerimônia na TV da redação. Pincei algumas cenas de Hugh Jackman revivendo seus dias de Broadway e Beauty and the beast, musical que o tornou famoso na Austrália. "O homem mais sexy do mundo" (a culpa provavelmente é do Wolverine), me parece, conseguiu conduzir a cerimônia de maneira digna.
Embora, o excesso do glamour do musical tenha me dado a impressão de que a premiação do Oscar virou um grande palco para Hugh mostrar que sabe cantar e dançar. Fiquei tentando ler as expressões dos outros atores. Deve ser meio difícil agradar uma plateia majoritariamente de colegas de trabalho. Mas o menino Jackman literalmente suou o smoking. A propósito, gosto dele, mas aconselho que risque Austrália (o filme) do currículo.
De qualquer forma, Hollywood fez mais uma sessão de mea culpa, dando um oscar honorário para Jerry Lewis. Bons tempos o da minha infância, quando a barriga doía de tanto rir das tiradas do ator.
Sean Penn, esse sim, o homem mais sexy do mundo, faturou a estatueta de melhor ator por Milk e de quebra pediu a legalização do casamento gay. Há quem se irrite com o engajamento de Penn em prol disso e daquilo, mas atenção puristas, arte pela arte é balela e Oscar Wilde (que Deus o tenha em bom lugar) está morto.
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Aaaah, o Carnaval? Teve trio elétrico, os mesmos artistas de sempre, as mesmas brigas de sempre, que pioram ano após ano com o confinamento da pipoca...continuo na contagem, faltam dois dias! Amém.
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domingo, 22 de fevereiro de 2009
Contagem regressiva: faltam três dias!
Meu amado Nelsinho não quer que eu conte, mas não resisto: faltam três dias para acabar o reinado de Gerônimo. Com todo respeito que devo ao criador de É D'Oxum, não vejo a hora desse povo ir para casa e minha vida voltar à sua rotina normal de trabalho honesto em madrugadas calmas.
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Resumo da noite de ontem. Ou seria madrugada de hoje?
Sábado de Carnaval é dia da saída do Ilê. O mais belo dos belos eu respeito. Mas quem faltou ao respeito com o coral negro foram o governador Wagner e o publicitário Nizan Guanaes. O primeiro levou escolta policial e o segundo, três seguranças. Isso é que é consideração ao trabalho social que o bloco desenvolve no bairro do Curuzu. Lamentável que nossos "homens fortes" tenham medo do povo. Na certa é consciência pesada...
XXXXXXXXXXXXXXXX
E neste domingo, the oscar goes to...Um consolo e tanto em meio a insanidade geral do Carnaval.
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Resumo da noite de ontem. Ou seria madrugada de hoje?
Sábado de Carnaval é dia da saída do Ilê. O mais belo dos belos eu respeito. Mas quem faltou ao respeito com o coral negro foram o governador Wagner e o publicitário Nizan Guanaes. O primeiro levou escolta policial e o segundo, três seguranças. Isso é que é consideração ao trabalho social que o bloco desenvolve no bairro do Curuzu. Lamentável que nossos "homens fortes" tenham medo do povo. Na certa é consciência pesada...
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E neste domingo, the oscar goes to...Um consolo e tanto em meio a insanidade geral do Carnaval.
sábado, 21 de fevereiro de 2009
Tambores da minha liberdade
A segunda madrugada momesca avança e os sinais da minha impaciência para a festa terminar são nítidos. As piadas tornam-se mais ácidas, a ironia, o último recurso de sobrevivência da inteligência agredida por letras como "rala a checa no chão?!"
Os desfiles atrasam, a vistoria dos trios acontece na última hora e a ordem de entrada nas passarelas carnavalescas é alterada. Olho para o relógio, isso não vai dar certo, murmuro desconfiada. E não dá mesmo, bloco entrando na avenida com sete horas de atraso?! Significa que minha madrugada vai virar manhã.
XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX
A noção de tempo de alguém que troca os dias pela noite muda radicalmente. Você toma o café da manhã na hora do lanche da meia-noite. Vai dormir na hora de acordar. Acorda e cai direto, de boca, garfo e faca, no prato do almoço e lá para o meio da tarde, que sono terrível. Meia horinha de cochilo para enfrentar outra madrugada.
XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX
A segunda noite do Carnaval teve Timbalada, Olodum e Cortejo Afro. Belo desfile desse último, mas saiu às 23h30, sem público, só com as imagens da TV estatal. Uma pena, os tambores do cortejo anunciavam liberdade, a minha. Outra olhada para o relógio, faltam pouco menos de cinco horas para encerrar minha transmissão.
Os desfiles atrasam, a vistoria dos trios acontece na última hora e a ordem de entrada nas passarelas carnavalescas é alterada. Olho para o relógio, isso não vai dar certo, murmuro desconfiada. E não dá mesmo, bloco entrando na avenida com sete horas de atraso?! Significa que minha madrugada vai virar manhã.
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A noção de tempo de alguém que troca os dias pela noite muda radicalmente. Você toma o café da manhã na hora do lanche da meia-noite. Vai dormir na hora de acordar. Acorda e cai direto, de boca, garfo e faca, no prato do almoço e lá para o meio da tarde, que sono terrível. Meia horinha de cochilo para enfrentar outra madrugada.
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A segunda noite do Carnaval teve Timbalada, Olodum e Cortejo Afro. Belo desfile desse último, mas saiu às 23h30, sem público, só com as imagens da TV estatal. Uma pena, os tambores do cortejo anunciavam liberdade, a minha. Outra olhada para o relógio, faltam pouco menos de cinco horas para encerrar minha transmissão.
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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
Madrugada do Momo Gerônimo
Da série, o passo-a-passo de uma cobertura
O Carnaval de Salvador já começou. O rei Momo é o cantor e compositor Gerônimo. Um cara resistente, que tem a capacidade de se reinventar e sobreviver ao boom do axé fazendo o estilo de música em que acredita. Na massa homogênea do Carnaval, com cantoras chapinhadas e malhadas, Gerônimo, barrigudo, um senhor de meia-idade, mantém o charme da origem do samba-reggae. O que me atrai no samba-reggae, na salsa, nos ritmos de raiz que ele preserva? Justamente isso, o fato de serem de raiz, de manterem a origem das coisas em seu devido lugar de respeito.
XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX
O A TARDE On Line está com hotsite para cobrir a folia comandada pelo rei Gerônimo. Eis o motivo pelo qual minhas madrugadas serão longas até a Quarta-feira de Cinzas.
XXXXXXXXXXXXXXXXXXX
Plantões madrugada à dentro são incovenientes no que diz respeito a dieta e ao sono, mas os riscos de infarto são atenuados pelo santo remédio que é rir das piadas de colegas tão mal-alimentados e mal-dormidos quanto você. A solidariedade entre os notívagos me fascina e ajuda a manter o ânimo, mesmo na cobertura do Carnaval.
XXXXXXXXXXXXX
"Chove lá fora e aqui faz tanto frio". Está realmente chovendo baldes (para refrescar a falta de juízo dos foliões) e a redação está geladíssima.
P.S.: anotação mental para a segunda-noite: pedir o controle remoto do ar condicionado e deixá-lo ao alcance dos dedinhos que voam pelo teclado.
O Carnaval de Salvador já começou. O rei Momo é o cantor e compositor Gerônimo. Um cara resistente, que tem a capacidade de se reinventar e sobreviver ao boom do axé fazendo o estilo de música em que acredita. Na massa homogênea do Carnaval, com cantoras chapinhadas e malhadas, Gerônimo, barrigudo, um senhor de meia-idade, mantém o charme da origem do samba-reggae. O que me atrai no samba-reggae, na salsa, nos ritmos de raiz que ele preserva? Justamente isso, o fato de serem de raiz, de manterem a origem das coisas em seu devido lugar de respeito.
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O A TARDE On Line está com hotsite para cobrir a folia comandada pelo rei Gerônimo. Eis o motivo pelo qual minhas madrugadas serão longas até a Quarta-feira de Cinzas.
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Plantões madrugada à dentro são incovenientes no que diz respeito a dieta e ao sono, mas os riscos de infarto são atenuados pelo santo remédio que é rir das piadas de colegas tão mal-alimentados e mal-dormidos quanto você. A solidariedade entre os notívagos me fascina e ajuda a manter o ânimo, mesmo na cobertura do Carnaval.
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"Chove lá fora e aqui faz tanto frio". Está realmente chovendo baldes (para refrescar a falta de juízo dos foliões) e a redação está geladíssima.
P.S.: anotação mental para a segunda-noite: pedir o controle remoto do ar condicionado e deixá-lo ao alcance dos dedinhos que voam pelo teclado.
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Primeiro dia - Já é Carnaval cidade, socorro!
Da série, o passo-a-passo de uma cobertura
Se engane não leitor. Embora pretenda dividir com vocês o meu suplício em trabalhar seis madrugadas seguidas, Carnaval à dentro - o problema não são as madrugadas, que me descobri notívaga, mas a folia de Momo -, os detalhes me escapam, porque como todo ser humano, tendo à autoindulgência.
Na medida do possível tentarei narrar os fatos mais marcantes do meu carnaval pessoal em detalhes. Não adianta narrar o que todo mundo vai ver na TV e acessar na internet. Então, como a moda é buscar o diferencial na árdua luta pela sobrevivência, meu diferencial é contar sobre a rotina miudinha que vivo.
Comecei a quinta-feira carnavalesca filosofando sobre a mentira e suas consequências. Tá lá no Conversa de Menina. Alane agradece a audiência!
Se engane não leitor. Embora pretenda dividir com vocês o meu suplício em trabalhar seis madrugadas seguidas, Carnaval à dentro - o problema não são as madrugadas, que me descobri notívaga, mas a folia de Momo -, os detalhes me escapam, porque como todo ser humano, tendo à autoindulgência.
Na medida do possível tentarei narrar os fatos mais marcantes do meu carnaval pessoal em detalhes. Não adianta narrar o que todo mundo vai ver na TV e acessar na internet. Então, como a moda é buscar o diferencial na árdua luta pela sobrevivência, meu diferencial é contar sobre a rotina miudinha que vivo.
Comecei a quinta-feira carnavalesca filosofando sobre a mentira e suas consequências. Tá lá no Conversa de Menina. Alane agradece a audiência!
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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
O abominável mundo dos camarotes
Há mais de um mês é impossível transitar pelo centro de Salvador, no trecho que se estende entre a praça do poeta (Castro Alves) até a avenida Ademar de Barros, em Ondina. São os tais dos 25 quilômetros da "Cidade Efêmera do Carnaval". Por ser efêmera a gente até se resigna a suportar dias tormentosos entre meados de janeiro e o começo de março, quando as famigeradas estruturas carnavalescas empurram pedestres para o meio da pista. No entanto, nada me impede de bradar para a minha meia dúzia de fieis leitores, o quanto me irrita viver em Salvador nessa época do ano. Com todo respeito à tradição milenar do Carnaval, - aliás iniciei até uma série sobre a história da festa lá no Conversa de Menina -, quem reclama aqui neste espaço agora é a cidadã, moradora de Salvador e não a jornalista que tem de cobrir a festa por força da profissão. Gente, eu odeio Carnaval com cada célula do meu ser. Acho a festa horrível, as músicas de gosto duvidoso, detesto multidões suadas se espremendo e trocando bactérias. Mas durante a festa é simples conviver com ela. Moro quilômetros longe dos circuitos da folia. Trabalho em uma zona da cidade que mal vê ecos carnavalescos em foliões tardios que dormem nos ônibus. Nem uma notinha de axé music, graças ao deus protetor da boa música. Mas, centro da cidade é centro da cidade e por mais que a gente tente, não há como fugir de transitar por essas áreas nos dias que antecedem essa versão fake das antigas lupercálias e dionisíacas. Pois bem, durante a montagem da cidade efêmera do carnaval, atos prosaicos do cotidiano como ir ao banco, ir ao médico, fazer o cooper matinal que ajuda a manter o AVC e o infarto distantes, tornam-se impossíveis. Engarrafamentos monstruosos, barulho ensurdecedor com o baticum da montagem das tais estruturas, mudança nos roteiros dos ônibus porque tal rua foi fechada para o bloco passar...O pior é que todo ano a imprensa escrita, virtual, televisiva e radiofônica faz matérias mostrando os transtornos do Carnaval para a vida do cidadão comum, mas o efeito é semelhante ao do desabafo neste blog. Apenas serve como catarse coletiva de um mal que, por falta de planejamento adequado, é dos tais sem solução.
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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
A convergência invade o blog
Da série, a quem interessar possa...
Fiz uma resenha de um texto acadêmico para uma das disciplinas da Pós. Já que a convergência é o tema da moda, meus rabiscos podem ser úteis para algum jornalista perdido. Acreditem, eu também ainda estou tateando o caminho.
Resenha - Convergência de mídias: metodologias de pesquisa e delineamento do campo brasileiro; Profª Drª Elizabeth Saad Corrêa
Neste documento, apresentado durante o Seminário do Acordo de Cooperação Brasil-Espanha, em dezembro de 2007, na Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia (Facom/Ufba), a autora propõe a adoção de uma metodologia de pesquisa para o desenvolvimento de trabalhos científicos tendo como tema a convergência, que ela considera, por sua vez, um sub-tema do vasto campo de estudos das Ciências da Comunicação.
Na medida em que discorre sobre a adoção de um modelo epistemológico que dê mais coesão aos diversos estudos da área, a professora e doutora Elizabeth Saad Corrêa revisa as principais teorias sobre convergência ora em curso. Também apresenta conceitos tomados como parâmetro para análise das realidades das redações que convergiram 100%; iniciaram o processo recentemente; malograram na adoção da convergência como diretriz, ou ainda; que se mantêm alienadas da chamada nova ordem da prática diária do jornalismo, optando por não convergir.
Um dos aspectos mais importantes do trabalho é a ênfase da especialista na “necessidade de redobrarem-se os cuidados na abordagem de um método científico de estudo e tratamento temático”, tanto no que diz respeito à delimitação da área de estudos, quanto no que confere evitar o uso de fórmulas prontas para um campo de pesquisa ainda em fase de demarcação.
A autora lembra que o termo convergência é usado desde aspectos tecnológicos até no que diz respeito à estrutura organizacional, diferentes níveis de processo de produção de conteúdos, modelos de negócios etc. Faz-se necessário estabelecer de que convergência se está falando e em que nível.
Para efeito de criação de uma metodologia tendo em vista o estudo da convergência midiática no meio jornalístico, a opção é “pela aplicação do termo nos ambientes midiáticos”. Uma vez estabelecida de que convergência se fala, surge o desafio de correlacionar os diversos aspectos que interagem e integram a convergência nas redações (desde a integração do espaço físico, passando pela produção e distribuição multiplataforma, até a capacitação dos profissionais envolvidos).
“Todos os aspectos correlatos à convergência brevemente listados apontam para a necessidade, em termos metodológicos, de construção de modelos de convergência que incluam variáveis de ordem tecnológica, estratégica, organizacional, comunicacional e narrativa.”
Para abarcar toda a multiplicidade do cenário, ou cenários, que possibilitam o desenvolvimento das redações convergentes, Elizabeth Saad Corrêa propõe, se necessário, um redesenho das teorias da comunicação, destacando-as de suas origens tradicionais de forma a possibilitar que contemplem tanto a evolução tecnológica quanto as conseqüências para as relações sociais.
A interatividade da audiência, personalização e customização dos conteúdos, seja nos meios jornalísticos ou não, configuram-se em outro recorte especíifico de estudo, um sub-produto da convergência ou determinante da sua existência? Descobrir a resposta para tal indagação é um dos desafios para estudiosos da área, propõe.
Estudos de caso, comparações, benchmarking, tendo em vista as incontáveis experiências de convergência já feitas na Europa, seriam alternativas viáveis, dentro do método de pesquisa proposto pela autora, para análise da evolução do processo de integração e convergência midiática no Brasil.
Na proposta da criação de uma metodologia de pesquisa para o estudo da convergência, não falta à autora preocupação com as questões práticas do processo, tanto no que confere a adaptação dos profissionais aos novos métodos de produção, quanto com relação à sustentabilidade, em longo prazo, dos modelos adotados nas empresas do Brasil ou no exterior.
Devido à sua formação também em administração de empresas, Elizabeth Saad Corrêa entende que a convergência configura-se antes de mais nada em um novo modelo de negócios cujo maior foco de resistência, muitas vezes, está além da redação, plantado nos modelos de gestão herdados da cultura de empresas familiares que detém o controle de determinada ou determinadas mídias.
Por fim, a autora propõe uma estrutura de estudo, em quatro fases, cujas duas principais e mais diretamente ligadas à prática diária do jornalismo são: a avaliação da empresa e seu posicionamento estratégico no mercado, levando em conta principalmente os modelos de gestão adotados; e, a contextualização dessa organização (empresa) no cenário da convergência.
“Quanto mais próxima da integração total uma empresa informativa estiver posicionada no espectro, maior o envolvimento de outras áreas organizacionais no processo de convergência, e maior a sua sustentabilidade e perspectivas futuras”.
Andreia Santana
Resumo apresentado para a disciplina Convergência Midiática aplicada ao Jornalismo
Pós Graduação em Jornalismo e Convergência Midiática
Faculdade Social da Bahia
Outubro de 2008
Fiz uma resenha de um texto acadêmico para uma das disciplinas da Pós. Já que a convergência é o tema da moda, meus rabiscos podem ser úteis para algum jornalista perdido. Acreditem, eu também ainda estou tateando o caminho.
Resenha - Convergência de mídias: metodologias de pesquisa e delineamento do campo brasileiro; Profª Drª Elizabeth Saad Corrêa
Neste documento, apresentado durante o Seminário do Acordo de Cooperação Brasil-Espanha, em dezembro de 2007, na Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia (Facom/Ufba), a autora propõe a adoção de uma metodologia de pesquisa para o desenvolvimento de trabalhos científicos tendo como tema a convergência, que ela considera, por sua vez, um sub-tema do vasto campo de estudos das Ciências da Comunicação.
Na medida em que discorre sobre a adoção de um modelo epistemológico que dê mais coesão aos diversos estudos da área, a professora e doutora Elizabeth Saad Corrêa revisa as principais teorias sobre convergência ora em curso. Também apresenta conceitos tomados como parâmetro para análise das realidades das redações que convergiram 100%; iniciaram o processo recentemente; malograram na adoção da convergência como diretriz, ou ainda; que se mantêm alienadas da chamada nova ordem da prática diária do jornalismo, optando por não convergir.
Um dos aspectos mais importantes do trabalho é a ênfase da especialista na “necessidade de redobrarem-se os cuidados na abordagem de um método científico de estudo e tratamento temático”, tanto no que diz respeito à delimitação da área de estudos, quanto no que confere evitar o uso de fórmulas prontas para um campo de pesquisa ainda em fase de demarcação.
A autora lembra que o termo convergência é usado desde aspectos tecnológicos até no que diz respeito à estrutura organizacional, diferentes níveis de processo de produção de conteúdos, modelos de negócios etc. Faz-se necessário estabelecer de que convergência se está falando e em que nível.
Para efeito de criação de uma metodologia tendo em vista o estudo da convergência midiática no meio jornalístico, a opção é “pela aplicação do termo nos ambientes midiáticos”. Uma vez estabelecida de que convergência se fala, surge o desafio de correlacionar os diversos aspectos que interagem e integram a convergência nas redações (desde a integração do espaço físico, passando pela produção e distribuição multiplataforma, até a capacitação dos profissionais envolvidos).
“Todos os aspectos correlatos à convergência brevemente listados apontam para a necessidade, em termos metodológicos, de construção de modelos de convergência que incluam variáveis de ordem tecnológica, estratégica, organizacional, comunicacional e narrativa.”
Para abarcar toda a multiplicidade do cenário, ou cenários, que possibilitam o desenvolvimento das redações convergentes, Elizabeth Saad Corrêa propõe, se necessário, um redesenho das teorias da comunicação, destacando-as de suas origens tradicionais de forma a possibilitar que contemplem tanto a evolução tecnológica quanto as conseqüências para as relações sociais.
A interatividade da audiência, personalização e customização dos conteúdos, seja nos meios jornalísticos ou não, configuram-se em outro recorte especíifico de estudo, um sub-produto da convergência ou determinante da sua existência? Descobrir a resposta para tal indagação é um dos desafios para estudiosos da área, propõe.
Estudos de caso, comparações, benchmarking, tendo em vista as incontáveis experiências de convergência já feitas na Europa, seriam alternativas viáveis, dentro do método de pesquisa proposto pela autora, para análise da evolução do processo de integração e convergência midiática no Brasil.
Na proposta da criação de uma metodologia de pesquisa para o estudo da convergência, não falta à autora preocupação com as questões práticas do processo, tanto no que confere a adaptação dos profissionais aos novos métodos de produção, quanto com relação à sustentabilidade, em longo prazo, dos modelos adotados nas empresas do Brasil ou no exterior.
Devido à sua formação também em administração de empresas, Elizabeth Saad Corrêa entende que a convergência configura-se antes de mais nada em um novo modelo de negócios cujo maior foco de resistência, muitas vezes, está além da redação, plantado nos modelos de gestão herdados da cultura de empresas familiares que detém o controle de determinada ou determinadas mídias.
Por fim, a autora propõe uma estrutura de estudo, em quatro fases, cujas duas principais e mais diretamente ligadas à prática diária do jornalismo são: a avaliação da empresa e seu posicionamento estratégico no mercado, levando em conta principalmente os modelos de gestão adotados; e, a contextualização dessa organização (empresa) no cenário da convergência.
“Quanto mais próxima da integração total uma empresa informativa estiver posicionada no espectro, maior o envolvimento de outras áreas organizacionais no processo de convergência, e maior a sua sustentabilidade e perspectivas futuras”.
Andreia Santana
Resumo apresentado para a disciplina Convergência Midiática aplicada ao Jornalismo
Pós Graduação em Jornalismo e Convergência Midiática
Faculdade Social da Bahia
Outubro de 2008
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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
"Pense no absurdo...
...na Bahia tem precedente". A frase do ex-governador Otávio Mangabeira, tantas vezes usada e abusada, serve mais uma vez de introdução para a minha série pessoal de desgostos com a humanidade. Só leio jornal ultimamente por obrigação. Pra um jornalista admitir isso é doloroso, acreditem.
Notícias do dia que estragam o café da manhã:
1 - Polícia suiça questiona gravidez de brasileira agredida e não cita em relatório de ocorrência que a motivação da agreção foi racismo. Que lindo, agora, vamos desviar o foco da mídia para o fato da moça espancada e marcada com estiletes estar ou não grávida. Me respondam aí, o fato dela ter ou não perdido os bebês, o fato de existirem ou não bebês, muda o fato de que uma mulher foi espancada por três caras, marcada com golpes de estilete e humilhada? Daqui a pouco, anotem aí, vão dizer que a tal moça estava na Suiça se prostituindo, como se isso mudasse o fato de que uma mulher foi agredida, de que um ser humano foi agredido. Já vi que em matéria de atendimento às vítimas de violência, quando elas são do sexo feminino, principalmente, a Suiça e o Brasil se equivalem e acreditam que a culpa é da vítima.
2 - Pelos lados de cá a notícia é mais dramática. João Henrique Carneiro, alcaide de Salvador, declarou em rede nacional que vai usar o dinheiro da merenda escolar e dos remédios nos postos de saúde para pagar o Carnaval. Outra beleza de notícia. A uma altura dessas, já larguei minha caneca de café com leite e desisti do pãozinho quente com manteiga. Será que o prefeito não sabe que para muitas crianças paupérrimas dessa terra, ir à escola não representa apenas alimentar-se de conhecimento, mas ter a chance de matar a fome física, de pão? A hora da merenda é a única refeição decente que essas crianças vão ter o dia inteiro, mas é preciso patrocinar o Carnaval, garantir que o turista, talvez os suiços, vejam muitas brasileiras semi-nuas dançando na avenida e por isso saiam daqui acreditando que a primeira "vagabunda brazuca" que eles encontrarem em Zurique merece ser retalhada com estiletes.
Notícias do dia que estragam o café da manhã:
1 - Polícia suiça questiona gravidez de brasileira agredida e não cita em relatório de ocorrência que a motivação da agreção foi racismo. Que lindo, agora, vamos desviar o foco da mídia para o fato da moça espancada e marcada com estiletes estar ou não grávida. Me respondam aí, o fato dela ter ou não perdido os bebês, o fato de existirem ou não bebês, muda o fato de que uma mulher foi espancada por três caras, marcada com golpes de estilete e humilhada? Daqui a pouco, anotem aí, vão dizer que a tal moça estava na Suiça se prostituindo, como se isso mudasse o fato de que uma mulher foi agredida, de que um ser humano foi agredido. Já vi que em matéria de atendimento às vítimas de violência, quando elas são do sexo feminino, principalmente, a Suiça e o Brasil se equivalem e acreditam que a culpa é da vítima.
2 - Pelos lados de cá a notícia é mais dramática. João Henrique Carneiro, alcaide de Salvador, declarou em rede nacional que vai usar o dinheiro da merenda escolar e dos remédios nos postos de saúde para pagar o Carnaval. Outra beleza de notícia. A uma altura dessas, já larguei minha caneca de café com leite e desisti do pãozinho quente com manteiga. Será que o prefeito não sabe que para muitas crianças paupérrimas dessa terra, ir à escola não representa apenas alimentar-se de conhecimento, mas ter a chance de matar a fome física, de pão? A hora da merenda é a única refeição decente que essas crianças vão ter o dia inteiro, mas é preciso patrocinar o Carnaval, garantir que o turista, talvez os suiços, vejam muitas brasileiras semi-nuas dançando na avenida e por isso saiam daqui acreditando que a primeira "vagabunda brazuca" que eles encontrarem em Zurique merece ser retalhada com estiletes.
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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
Notícia triste
Skinheads atacaram uma brasileira grávida de gêmeos na Suiça. Espancaram a moça e tatuaram, a golpes de estilete, a sigla neonazista na barriga da vítima. Ela perdeu os bebês. Espero que os defensores impedernidos da liberdade de expressão para algozes tenham acompanhado essa triste notícia e revejam seus pontos de vista. Liberdade sim, mas jamais para disseminar ideias crueis e perniciosas, para incentivar o racismo e a intolerância ou para permitir que aberrações como os skinheads continuem existindo.
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terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
Julio Cortazar saiu da estante
A semana começa na terça-feira, porque como Garfield (I hate mondays!). Depois de devolver à Haroun o seu mar de fios de histórias, leio Divertimento, de Julio Cortazar. O livro é de 1949. O autor colocou o ponto final na história em pleno Carnaval.
Quem dera também pudesse colocar um ponto final nessa festa infame. Escapei da rua, embora meu plantão momesco vá durar até 3h da madrugada. Não reclamo. Prefiro a companhia das corujas e o risco de uma pneumonia com o ar condicionado gelado nas costas, ao contato suado, de alegria forçada, dos foliões.
XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX
Fiz uma seleção dos cinco filmes de Nicolas Cage de que mais gosto. Está aqui, no Conversa de Menina. O blog das mocinhas completa dois meses no ar nesta terça.
Quem dera também pudesse colocar um ponto final nessa festa infame. Escapei da rua, embora meu plantão momesco vá durar até 3h da madrugada. Não reclamo. Prefiro a companhia das corujas e o risco de uma pneumonia com o ar condicionado gelado nas costas, ao contato suado, de alegria forçada, dos foliões.
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Fiz uma seleção dos cinco filmes de Nicolas Cage de que mais gosto. Está aqui, no Conversa de Menina. O blog das mocinhas completa dois meses no ar nesta terça.
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domingo, 8 de fevereiro de 2009
Sessão nostalgia no fim de semana
Noite de sábado. Meio deprimida por dizer coisas duras demais para um amigo querido, mas com aquela certeza egoista de que ele precisava ouvir umas verdades.... escolho assistir Despedida em Las Vegas. Filme é estado de espírito. O meu era depressivo e ver a miséria alheia sempre consola. Nicolas Cage está fabuloso no papel de um roteirista de Hollywood que perde a família, amigos e emprego por causa do álcool e decide se mudar para Las Vegas, com a intenção de beber até a morte. Conhece uma prostituta, papel intenso de Elisabeth Shue, e vive um tumultuado caso de amor fadado ao fracasso. Eu não bebo. Mas precisava me embriagar no sofrimento alheio. Chorar sempre me ajudou a pensar. É o tal destino de fênix, eu morro em cada lágrima, visto a pele do personagem, vago com ele de bar em bar, de dor em dor, renasço ao fim da sessão. Sem cirrose, sem a morte me rondando. Cinema é catarse, bem sabia Hitchcock, meu amado mestre.
XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX
Neste domingo o sol volta a brilhar. Quem me conhece sabe que minhas tristezas duram menos que chuva de verão. Zapeando por um canal fechado, próxima atração: Tootsie. Dustin Hoffman é sempre Dustin Hoffman. Adoro esse filme. É leve, é apaixonante, diversão para esquecer que os problemas existem. Metonímia: uma daquelas declarações de amor da arte para a arte. Um ator desempregado se disfarça de mulher e consegue virar a estrela de uma novela. Nos bastidores, se apaixona pela jovem atriz da mesma novela (Jessica Lange); vive uma relação confusa com outra atriz neurótica; às voltas com um agente conservador e ainda divide apartamento com um amigo autor teatral que não acerta no texto de uma peça. Tinha tudo para dar errado, mas justamente por isso, dá certo. Filme para renovar esperanças e, usando chavão de livro de auto-ajuda, lembrar sempre de persistir nos próprios sonhos. Pieguice demais mata, mas em doses homeopáticas nos torna humanos.
XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX
Para quem quiser ver:
Despedida em Las Vegas
Direção de Mike Figgis
Ano de lançamento: 1995
Elenco: Nicolas Cage, Elizabeth Shue e Julian Sands
Tootsie
Direção de Sidney Pollack
Ano de lançamento: 1982
Elenco: Dustin Hoffman, Jessica Lange, Bill Murray
XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX
Não daria uma boa crítica cinematográfica. Sou uma expectadora passional. As histórias me falam ao coração e não ao senso crítico. Quando gosto de um filme, não vejo defeito. Acho as análises técnicas meio enfadonhas.
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Neste domingo o sol volta a brilhar. Quem me conhece sabe que minhas tristezas duram menos que chuva de verão. Zapeando por um canal fechado, próxima atração: Tootsie. Dustin Hoffman é sempre Dustin Hoffman. Adoro esse filme. É leve, é apaixonante, diversão para esquecer que os problemas existem. Metonímia: uma daquelas declarações de amor da arte para a arte. Um ator desempregado se disfarça de mulher e consegue virar a estrela de uma novela. Nos bastidores, se apaixona pela jovem atriz da mesma novela (Jessica Lange); vive uma relação confusa com outra atriz neurótica; às voltas com um agente conservador e ainda divide apartamento com um amigo autor teatral que não acerta no texto de uma peça. Tinha tudo para dar errado, mas justamente por isso, dá certo. Filme para renovar esperanças e, usando chavão de livro de auto-ajuda, lembrar sempre de persistir nos próprios sonhos. Pieguice demais mata, mas em doses homeopáticas nos torna humanos.
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Para quem quiser ver:
Despedida em Las VegasDireção de Mike Figgis
Ano de lançamento: 1995
Elenco: Nicolas Cage, Elizabeth Shue e Julian Sands
TootsieDireção de Sidney Pollack
Ano de lançamento: 1982
Elenco: Dustin Hoffman, Jessica Lange, Bill Murray
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Não daria uma boa crítica cinematográfica. Sou uma expectadora passional. As histórias me falam ao coração e não ao senso crítico. Quando gosto de um filme, não vejo defeito. Acho as análises técnicas meio enfadonhas.
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sábado, 7 de fevereiro de 2009
A flor é do jardineiro ou da abelha?
A abelha, no ato de colher o néctar, sacode o pólen das patas sobre a flor e ela germina. A abelha vai embora, em busca de mais néctar, de outras flores, mas o jardineiro cultiva aquela flor primeira, retira as ervas daninhas, coloca adubo...De quem é a flor, dele ou da abelha? A metáfora é só para dizer que ainda não consigo ser como São Francisco de Assis, fazer uma boa obra, sem olhar a quem. As sementes que lancei germinaram e outros colhem seus frutos. Mas ainda me ressinto da falta de consideração ao trabalho da abelha...
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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
Bento XVI, holocausto e limites ao direito de discordar
Da série, o pior cego...
Uma discussão entre três colegas de trabalho, um deles era obviamente eu, que uma hora dessas vou acabar com fama de encrenqueira...inspirou esse post, que volta a tocar na questão da ferida aberta da II Guerra Mundial e na sua mais sangrenta chaga, o holocausto. O motivo da discussão: Bento XVI, o papa Ratzinger, que embora seja tão conservador quanto o papa Karol, não tem o carisma de papai noel de João Paulo II. Pois bem, o papa Ratzinger reabilitou um bispo excomungado pela igreja. O bispo, por sua vez, defende que o holocausto não existiu e que as câmaras de gás nazistas são ficção. Contrariando os fatos, comprovados por videos, fotos, documentos, testemunhas ainda vivas - a guerra começou há exatos 60 anos, em 1939 -, o bispo se acha no direito de negar a existência de um dos maiores exterminios que a humanidade já presenciou, depois do genocidio indigena praticado por portugueses, espanhóis e americanos nas três americas e da diáspora que dispersou pelo mundo 10 milhões de africanos para servirem de escravos nas lavouras e minas, matando milhares em travessias tormentosas pelo Atlântico. Pois é, existem feridas na história da humanidade que não fecham nem com pontos cirúrgicos.
............
Um dos colegas envolvidos no debate defendia o direito do bispo de discordar do holocausto e citava como exemplo o fato de na Áustria historiadores serem presos por contestar o número de mortos judeus: seis milhões. A premissa básica do discurso do colega é a liberdade de expressão, de que todo mundo tem direito de manifestar opiniões. Defendo até a morte a liberdade de expressão, mas há limites. Hitler teve toda a liberdade de expressão do mundo para escrever Main Kampf e o resultado é o desastre que já conhecemos. A Klu Klux Klan, os neo-nazistas, todos abusam da liberdade de expressão, e o resultado é igualmente ignóbil. Não custa lembrar também que esses citados, geralmente, impedem que os defensores dos direitos iguais para todos os cidadãos (a Declaração Universal dos Direitos Humanos, lembram?) usem a abençoada liberdade de expressão, na maioria das vezes recorrendo ao cerceamento das liberdades civis e a tortura. Pois é, poder todo mundo pode dizer o que bem entender, mas aí entra a questão ética, mas todo mundo deve realmente dizer o que pensa? Certas idéias, já afirmei de outras vezes, são perigosas demais para serem incentivadas, mesmo que em nome de uma defesa sem limites da liberdade de expressão. Nesses casos de ultra-radicalismo, concordo que o discurso deve ser silenciado sim, o mais rápido possível, antes que contamine outras pessoas, que contagie um país inteiro, como ocorreu na Alemanha nazista. Justiça seja feita, houve sim, alemães que se horrorizaram diante do regime. Houve quem foi obrigado sob ameaças, a colaborar, claro, os alemães não podem todos ser condenados como se todos fossem iguais. Mas não se pode negar que uma parte significativa do país aderiu e disseminou essas ideias. Tanto que ainda há quem defenda, nos dias de hoje, quando os porões de tortura e morte foram revelados!
.............
Um historiador, ou bispo, ou seja lá quem for, que nega o holocausto, também está negando a escravidão negra ou o genocídio indigena. Se foram seis milhões de judeus, se foi um milhão, que tenham sido dez mil, ou 500 pessoas, não importa, o que importa de fato é que seres humanos foram mortos, escravizados, dizimados em nome de ideias equivocadas de que existem raças superiores, pessoas fadadas ao sucesso e párias que devem ser eliminados ou subjugados à condição de servos. Esse tipo de ideologia é o que permeia, nas entrelinhas, o discurso de quem fica se apegando aos números para questionar um fato. Se foram dez milhões de africanos ou se foi só a metade disso, o que importa diante dos problemas de uma África que até hoje sofre as consequências de séculos de tráfico de seres humanos? E nas Américas, aqui pertinho, alguém vai dizer que a colonização das três américas foi uma bela história de colaboração entre índios e brancos em nome da construção de nações evoluídas e prósperas?
.................
Me surpreendo ao perceber que as pessoas se irritam com os movimentos negros, ou com os movimentos indigenas ou ainda, que se irritam com o fato dos judeus ainda chorarem seus mortos e cobrarem reparação. O argumento é que ciganos, mendigos, deficientes também foram exterminados nas câmaras de gás, nos fornos crematórios, nos paredões de fuzilamento e que ninguém lembra dessas outras minorias. Sim, eles foram sim, vítimas também nessa circunstância. Os ciganos aliás, são perseguidos e considerados páreas desde a sua origem, na Índia, antes de Cristo. Espalhados pelo mundo, em eterna vida errante, ainda são associados ao crime, ao sequestro de crianças e a outras barbaridades. Ninguém desconsidera o sofrimento deles ou ignora que a fixação de Hitler por uma raça de campeões excluia qualquer pessoa considerada "defeituosa". O que também não era uma ideia original dele. Basta conhecer o mínimo de história e olhar para Esparta, que literalmente jogava aos lobos as crianças que nasciam com deficência física ou mental, tudo em nome da beleza clássica e da proeficiência militar. Ao colocar lentes de aumento no extermínio de judeus ou na escravidão negra, nenhuma pessoa de bom senso desconsidera outros povos que foram perseguidos ao longo da história, mas fatos marcantes, cenas de horror como as do nazismo e dos navios negreiros, são mais dificeis de serem apagadas e por doerem tão fundo, jamais serão esquecidas.
Uma discussão entre três colegas de trabalho, um deles era obviamente eu, que uma hora dessas vou acabar com fama de encrenqueira...inspirou esse post, que volta a tocar na questão da ferida aberta da II Guerra Mundial e na sua mais sangrenta chaga, o holocausto. O motivo da discussão: Bento XVI, o papa Ratzinger, que embora seja tão conservador quanto o papa Karol, não tem o carisma de papai noel de João Paulo II. Pois bem, o papa Ratzinger reabilitou um bispo excomungado pela igreja. O bispo, por sua vez, defende que o holocausto não existiu e que as câmaras de gás nazistas são ficção. Contrariando os fatos, comprovados por videos, fotos, documentos, testemunhas ainda vivas - a guerra começou há exatos 60 anos, em 1939 -, o bispo se acha no direito de negar a existência de um dos maiores exterminios que a humanidade já presenciou, depois do genocidio indigena praticado por portugueses, espanhóis e americanos nas três americas e da diáspora que dispersou pelo mundo 10 milhões de africanos para servirem de escravos nas lavouras e minas, matando milhares em travessias tormentosas pelo Atlântico. Pois é, existem feridas na história da humanidade que não fecham nem com pontos cirúrgicos.
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Um dos colegas envolvidos no debate defendia o direito do bispo de discordar do holocausto e citava como exemplo o fato de na Áustria historiadores serem presos por contestar o número de mortos judeus: seis milhões. A premissa básica do discurso do colega é a liberdade de expressão, de que todo mundo tem direito de manifestar opiniões. Defendo até a morte a liberdade de expressão, mas há limites. Hitler teve toda a liberdade de expressão do mundo para escrever Main Kampf e o resultado é o desastre que já conhecemos. A Klu Klux Klan, os neo-nazistas, todos abusam da liberdade de expressão, e o resultado é igualmente ignóbil. Não custa lembrar também que esses citados, geralmente, impedem que os defensores dos direitos iguais para todos os cidadãos (a Declaração Universal dos Direitos Humanos, lembram?) usem a abençoada liberdade de expressão, na maioria das vezes recorrendo ao cerceamento das liberdades civis e a tortura. Pois é, poder todo mundo pode dizer o que bem entender, mas aí entra a questão ética, mas todo mundo deve realmente dizer o que pensa? Certas idéias, já afirmei de outras vezes, são perigosas demais para serem incentivadas, mesmo que em nome de uma defesa sem limites da liberdade de expressão. Nesses casos de ultra-radicalismo, concordo que o discurso deve ser silenciado sim, o mais rápido possível, antes que contamine outras pessoas, que contagie um país inteiro, como ocorreu na Alemanha nazista. Justiça seja feita, houve sim, alemães que se horrorizaram diante do regime. Houve quem foi obrigado sob ameaças, a colaborar, claro, os alemães não podem todos ser condenados como se todos fossem iguais. Mas não se pode negar que uma parte significativa do país aderiu e disseminou essas ideias. Tanto que ainda há quem defenda, nos dias de hoje, quando os porões de tortura e morte foram revelados!
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Um historiador, ou bispo, ou seja lá quem for, que nega o holocausto, também está negando a escravidão negra ou o genocídio indigena. Se foram seis milhões de judeus, se foi um milhão, que tenham sido dez mil, ou 500 pessoas, não importa, o que importa de fato é que seres humanos foram mortos, escravizados, dizimados em nome de ideias equivocadas de que existem raças superiores, pessoas fadadas ao sucesso e párias que devem ser eliminados ou subjugados à condição de servos. Esse tipo de ideologia é o que permeia, nas entrelinhas, o discurso de quem fica se apegando aos números para questionar um fato. Se foram dez milhões de africanos ou se foi só a metade disso, o que importa diante dos problemas de uma África que até hoje sofre as consequências de séculos de tráfico de seres humanos? E nas Américas, aqui pertinho, alguém vai dizer que a colonização das três américas foi uma bela história de colaboração entre índios e brancos em nome da construção de nações evoluídas e prósperas?
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Me surpreendo ao perceber que as pessoas se irritam com os movimentos negros, ou com os movimentos indigenas ou ainda, que se irritam com o fato dos judeus ainda chorarem seus mortos e cobrarem reparação. O argumento é que ciganos, mendigos, deficientes também foram exterminados nas câmaras de gás, nos fornos crematórios, nos paredões de fuzilamento e que ninguém lembra dessas outras minorias. Sim, eles foram sim, vítimas também nessa circunstância. Os ciganos aliás, são perseguidos e considerados páreas desde a sua origem, na Índia, antes de Cristo. Espalhados pelo mundo, em eterna vida errante, ainda são associados ao crime, ao sequestro de crianças e a outras barbaridades. Ninguém desconsidera o sofrimento deles ou ignora que a fixação de Hitler por uma raça de campeões excluia qualquer pessoa considerada "defeituosa". O que também não era uma ideia original dele. Basta conhecer o mínimo de história e olhar para Esparta, que literalmente jogava aos lobos as crianças que nasciam com deficência física ou mental, tudo em nome da beleza clássica e da proeficiência militar. Ao colocar lentes de aumento no extermínio de judeus ou na escravidão negra, nenhuma pessoa de bom senso desconsidera outros povos que foram perseguidos ao longo da história, mas fatos marcantes, cenas de horror como as do nazismo e dos navios negreiros, são mais dificeis de serem apagadas e por doerem tão fundo, jamais serão esquecidas.
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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
Para os contadores (e leitores) de histórias
Zembla, Zenda, Xanadu, Xangrilá
Ali nosso sonho pode estar
Fantasia tem asas pra voar
Agora que ando longe, a vagar
Rumo a ti neste livro hei de voltar.
(trecho de Haroun e o mar de histórias - Salman Rushdie)
XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX
Enquanto isso, na Estação de Sonhos...
Morpheu, aborrecido porque o "converseiro" dos anjos não deixa o menino dormir, decide, em pessoa, fazer uma visitinha ao céu...
Ali nosso sonho pode estar
Fantasia tem asas pra voar
Agora que ando longe, a vagar
Rumo a ti neste livro hei de voltar.
(trecho de Haroun e o mar de histórias - Salman Rushdie)
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Enquanto isso, na Estação de Sonhos...
Morpheu, aborrecido porque o "converseiro" dos anjos não deixa o menino dormir, decide, em pessoa, fazer uma visitinha ao céu...
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